Dalai Lama: a China não tem autoridade moral para ser superpotência

O Dalai Lama afirmou nesta quinta-feira, em Bruxelas, que os dirigentes chineses devem resolver seus problemas internos, incluindo a questão do Tibete, com mais abertura se pretendem que seu país seja reconhecido como uma superpotência.

AFP |

"Para ser uma superpotência é necessária potência humana - e eles a têm -, e potência econômica - e eles a têm -, mas também há um fator importante, que é a autoridade moral, e isso eles não têm", declarou o líder do budismo tibetano em uma entrevista coletiva no Parlamento Europeu.

"A imagem da República Popular da China na área da autoridade moral é muito, muito ruim", em decorrência das más notícias que chegam de lá "em matéria de direitos humanos, liberdade religiosa, liberdade de expressão e liberdade de imprensa", estimou o Dalai Lama, que vive exilado na Índia.

"As pessoas sensatas da China percebem que a China deve prestar mais atenção a este ponto para obter o respeito do resto do mundo e ter mais responsabilidade nos assuntos internacionais", acrescentou.

Segundo o Dalai Lama, a questão da autoridade moral passa pela gestão realista de assuntos internos como "o problema do Tibete e a região autônoma de Xinjiang, a questão de Hong Kong e a reunificação com Taiwan".

O presidente do Parlamento Europeu, Hans-Gert Pöttering, disse ao líder budista que os eurodeputados "continuarão defendendo o direito do povo tibetano a viver sua cultura e sua religião".

O Dalai Lama, Prêmio Nobel da Paz em 1989, se reunirá no próximo sábado em Gdansk (Polônia) com o chefe de Estado francês, Nicolas Sarkozy, presidente em exercicio da União Européia (UE).

A reunião irritou de tal forma as autoridades chinesas que estas decidiram cancelar a cúpula UE-China, que deveria ter acontecido na última segunda-feira na França.

cat-mar/ap

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