Dados sobre emprego nos EUA reduzem esperanças de rápida recuperação

A perda de empregos nos Estados Unidos aumentou vertiginosamente em junho (467.000 postos de trabalho eliminados), com a taxa de desemprego chegando a 9,5%, segundo dados do departamento de Trabalho divulgados nesta quinta-feira, enfraquecendo as esperanças de uma rápida recuperação econômica.

AFP |

O presidente Barack Obama reagiu à notícia se declarando profundamente decepcionado com as cifras que levaram a taxa de desemprego ao pior nível dos últimos 26 anos.

Esta alta do número de empregos perdidos, após dois meses de queda, foi muito maior do que a previsão dos analistas, que calculavam uma baixa de 365.000 postos de trabalho.

Estes dados do relatório do departamento do Trabalho retificam a melhora relativa registrada em maio, quando foram perdidos 322.000 empregos.

O aumento da taxa de desemprego, por outro lado, foi um pouco inferior que o esperado pelos analistas, que estimavam 9,6%. Em maio, o índice ficou em 9,4%.

"Este relatório decepcionante joga luz sobre a severidade da piora, e sugere que, em matéria de emrpego, ainda não chegamos ao fundo do poço", afirmou Sophia Koropeckyj, no site Moddy's Economy.com.

"A deterioração do mercado de trabalho continua, e há poucos indícios de que as condições estejam melhorando", acrescentou.

Meny Grauman, economista da CIBC World Markets, destacou que alguns analistas se apressaram ao antecipar uma recuperação econômica.

"Isso demonstra que a recessão perdura nos Estados Unidos", estimou. "É uma questão de ritmo desta deterioração, e não de recuperação. A contração da economia é mais lenta que no início do ano, mas continuamos ladeira abaixo".

Desde o início da recessão, em dezembro de 2007, a maior economia do mundo perdeu 6,5 milhões de postos de trabalho, e a taxa de desemprego disparou 4,6 pontos percentuais, segundo o departamento de Trabalho.

"A decepção não foi só a magnitude da perda de empregos, e sim do fato de que foi tão generalizada", indicou por sua vez Sal Guatieri, da BMO Capital Markets.

"O panorama continua sendo incerto, e por isso as empresas estão reticentes na hora de contratar - apesar do aumento da demanda", explicou.

Segundo o analista, os problemas econômicos sugerem que existe o risco de uma espiral descendente alimentada pela demanda fraca, provocando perda de emprego, queda da renda e a redução dos gastos de consumo, que são a alma da economia.

"Isso é só um relatório mensal, mas se for seguido por mais dados decepcionantes em julho, talvez precisemos revisar para baixo nossas previsões para o terceiro trimestre" nos Estados Unidos, alertou Guatieri.

De acordo com o relatório do departamento do Trabalho, a indústria manufatureira eliminou 136.000 empregos em junho - já foram 1,9 milhão desde o início da recessão.

O número de empregos perdidos no setor de serviços, no qual trabalham 85% da mão-de-obra não agrícola do país, mais que duplicou: foram suprimidos 244.000 postos de trabalho.

A exceção foram as áreas de educação e saúde, onde foram criados 34.000 novos empregos.

Para Obama, é preciso refletir sobre os indicadores do desemprego.

"Obviamente ele está profundamente decepcionado com a contínua perda de emprego em nossa economia", declarou o porta-voz da Casa Branca, Robert Gibbs. "O presidente se mantém muito preocupado que percamos empregos mês a mês".

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