Dados básicos e evolução política de Mianmar

Yangun (Mianmar), 9 mai (EFE).- Os habitantes das áreas de Mianmar (antiga Birmânia) não atingidas pelo ciclone Nargis comparecerão amanhã às urnas para aprovar ou rejeitar o texto constitucional elaborado, sem a participação da oposição democrática, pelo regime militar que governa o país há 46 anos.

EFE |

SITUAÇÃO: Estado do Sudeste Asiático que faz fronteira ao noroeste com Bangladesh e Índia, ao norte com a China, ao nordeste com Laos, ao sudeste com a Tailândia e que tem, ao sudoeste, saídas para o mar de Andaman e para o golfo de Bengala.

SUPERFÍCIE: 676.580 quilômetros quadrados.

POPULAÇÃO: 50,520 milhões de habitantes, com uma densidade de 74,7 habitantes por quilômetro quadrado (números de 2005).

CAPITAL: Naypyidaw, desde 2005.

IDIOMA: Birmanês (oficial), além de inglês e dialetos das várias minorias étnicas.

RELIGIÃO: Budistas (87%), muçulmanos (4%), protestantes (3,6%), católicos (1,5%), animistas (1%) e outros.

ETNIAS: Birmanesa (68%), shan (9%), karen (7%), rakhine (4%), chinês (3%), indiano (2%), mon (2%) e outros.

FORMA DE GOVERNO: Uma Junta Militar governa desde 1962 o país, cujo nome oficial é União da República de Mianmar. O general Than Shwe preside o Conselho de Estado para a Paz e o Desenvolvimento (SCPD, em inglês), como o regime se denomina desde 1997. O primeiro-ministro é o general Thein Sein (2007).

Existe um Legislativo bicameral, mas não são realizadas eleições desde 1990, quando o partido oficial foi derrotado pela Liga Nacional pela Democracia (LND), liderada por Aung San Suu Kyi.

PARTIDOS: As legendas pró-governo são o Partido de União Nacional e a Associação para o Desenvolvimento e a Solidariedade da Nação (USDA, em inglês). O movimento democrático é liderado pela LND.

GRUPOS DISSIDENTES: Geração de Estudantes de 88, Governo de Coalizão Nacional da União de Mianmar (NCGUB, em inglês) - autoproclamado Governo no exílio e formado com os resultados do pleito de 1990 -, Conselho Nacional da União de Mianmar (NCUB, em inglês), Conselho de Nacionalidades Étnicas (ENC, em inglês), Liga da Mulher de Mianmar (WLB, em inglês) e União Nacional Karen (UNK), entre outros.

ECONOMIA: O Produto Interno Bruto cresceu 5,5% e totalizou US$ 91,130 bilhões em 2007. A composição por setores é: agricultura (53,9%), indústria (10,6%) e serviços (35.5%). A força de trabalho compreende 29,3 milhões de trabalhadores.

HISTÓRIA: O Império britânico conquistou o Reino birmanês no século XIX, acabou com a monarquia absolutista e incorporou o território à Índia. Os birmaneses tiveram que esperar até depois da Segunda Guerra Mundial para conseguir a independência, em 1948.

O general Ne Win, derrotado nas eleições, tomou o poder com um golpe de Estado em 1962 e governou durante 26 anos.

Em 1988, os estudantes universitários desafiam o regime militar nas ruas de Yangun. A morte de centenas deles e a detenção de milhares em uma manifestação, em 8 de agosto, leva a uma mobilização nacional, com greves e protestos contra a Junta.

Calcula-se que pelo menos três mil pessoas tenham sido mortas nesse mês pelas forças de segurança.

O Governo anuncia, em 18 de setembro de 1988, a criação do Conselho de Estado para Restauração da Lei e da Ordem (SLORC, na sigla em inglês), e Ne Win passa a um segundo plano.

Em 24 de setembro, Suu Kyi, Aung Gyi e Tin U fundam a LND, a qual registrarão três dias depois como partido político, enquanto continuam as mobilizações, greves e perseguições.

Em 1989, o Governo anuncia eleições parlamentares para o próximo ano e submete Suu Kyi - cujo partido vence as eleições com mais de 82% dos votos, mas o SLORC não aceita o resultado - à prisão domiciliar. Em junho do mesmo ano, o país muda seu nome oficial de de Birmânia para Mianmar.

Em 1991, Suu Kyi, em seu segundo ano de prisão domiciliar, recebe o Prêmio Nobel da Paz.

A Convenção Nacional começa a redigir em 1993 uma nova Constituição, cujo projeto é concluído em 2007 sem a participação da oposição democrática.

Em setembro do ano passado, ressurgem as grandes manifestações contra o Governo, que chegam a reunir mais de 300 mil pessoas no dia 24. Os protestos são liderados por monges budistas e motivados pela alta dos preços dos combustíveis.

No dia seguinte, começa uma campanha sistemática de detenções e atuações de repressão às manifestações pacíficas. A ONU calcula que as forças de segurança mataram 37 pessoas. A dissidência eleva o número para mais de 200, além de seis mil detidos.

No começo de 2008, a Junta Militar anuncia que submeterá o texto constitucional a um plebiscito em 10 de maio e, se for aprovado, organizará eleições legislativas em 2010. EFE zm/ev/gs

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