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Da Nicarágua, Zelaya organiza resistência pacífica em Honduras

Ocotal (Nicarágua), 27 jul (EFE).- O presidente deposto hondurenho, Manuel Zelaya, continua hoje organizando uma resistência pacífica para tentar entrar em seu país, enquanto um ex-militar nicaraguense anunciou que abrirá um processo contra ele nos tribunais locais.

EFE |

Zelaya continua no município nicaraguense de Ocotal, no departamento de Nova Segóvia, a 25 quilômetros da fronteira com Honduras e a 225 quilômetros ao norte de Manágua, desde onde tem convocado seus seguidores à insurreição, segundo a Agência Efe.

O líder deposto, que na sexta-feira passada tentou entrar pela segunda vez em seu país e pela segunda vez fracassou, ratificou mais uma vez que se manterá em "pé de luta" e à espera de sua família e de mais seguidores que o acompanharão em seu retorno a Honduras para retomar o poder, depois do golpe de Estado do dia 28 de junho.

Zelaya dedicou o dia de hoje a visitar Ocotal e outras comunidades divisórias e a se reunir com seus simpatizantes.

Enquanto isso, um grupo de seguidores do presidente deposto anunciou que espera "romper o cerco" na fronteira com Honduras, para que Zelaya possa se reunir, em "poucas horas", com sua família.

"Queremos romper o cerco, para que Zelaya possa se reunir com sua família", disse o dirigente Carlos Eduardo Reina, em entrevista coletiva.

Reina, dirigente da Frente Nacional contra o Golpe de Estado, integrado por organizações sociais e membros do Partido Liberal, acrescentou que "em poucas horas" Zelaya estará em seu país.

Assegurou que os seguidores de Zelaya romperão esse cerco não com agressões, mas com "a moral do povo hondurenho, que está acima das armas".

O "primeiro passo" é que o líder deposto se reúna com sua esposa, Xiomara Castro de Zelaya, sua filha, Hortensia Zelaya, e sua mãe, Hortensia Rosales, indicou o político hondurenho.

Depois, exigirão o restabelecimento "incondicional" de Zelaya na Presidência de Honduras, da qual foi deposto pelo Parlamento no dia 28 de junho, depois que os militares o prenderam e o expulsaram do país para a Costa Rica.

Reina negou que Zelaya estivesse desesperado ou tenha pedido a seus seguidores que se rebelassem contra os golpistas.

Já o ex-coronel nicaraguense Víctor Boitano Coleman anunciou que amanhã dará entrada em um processo contra Zelaya e contra o presidente da Nicarágua, Daniel Ortega, por violar "as normas nacionais e internacionais, ao fazer um chamado à insurreição" de seu país contra Honduras.

Coleman, que também é advogado e antigo membro do Conselho Militar do Exército da Nicarágua, disse à Efe que abrirá o processo no Ministério Público.

Também o apresentará diante da Suprema Corte de Justiça, do Parlamento, dos ministérios de Defesa e de Governo, da Direção Geral de Migração e de Estrangeiros, da Polícia Nacional e do Exército da Nicarágua.

O ex-militar acusa Zelaya e Ortega de formação de quadrilha, alteração da ordem pública, exposição de pessoas ao perigo, promoção do caos e da anarquia, assim como de fazer chamados à realização e à comissão de atos de violência.

Também os acusa de obstaculizar a via pública, invasão da propriedade pública e privada e violação da fronteiras terrestres das Repúblicas da Nicarágua e de Honduras, abuso de autoridade e usurpação de funções.

Em sua lista de acusações a Zelaya e Ortega, o ex-coronel Coleman inclui ainda violações migratórias, declarações de guerra, planejamento, divulgação pública e chamado a atos terroristas, insurreição e subversão contra o Estado de Honduras em prejuízo do Estado nicaraguense, entre outros.

O ex-militar nicaraguense denunciou que Zelaya e Ortega, membros da Aliança Bolivariana para as Américas (Alba), estão "instalando e mantendo publicamente quartéis-gerais de operações nas cidades de Manágua, Estelí, Ocotal e uma base de operações no povoado e posto fronteiriço de Las Manos, todos em solo nicaraguense". EFE lfp/pd

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