Curitibano detido na Bolívia relata dramas vividos

Em fevereiro, um terremoto de 8,8 graus na escala Richter atingiu o Chile, deixando mais de 450 mortos. Em março, ataques suicidas no metrô de Moscou, na Rússia, mataram 39 pessoas. No dia 15 deste mês, teve início na Europa o caos nos aeroportos, causado pelas erupções do vulcão Eyjafjallajökull, na Islândia.

Agência Estado |

Todos esses eventos seriam fatos isolados se neles não estivesse envolvido o curitibano Diogo Ruiz, de 24 anos, que, ao programar as férias, não só havia comprado passagem para esses lugares antes de ocorrerem as tragédias como, ao iniciar seu passeio, foi feito temporariamente refém na terça-feira, juntamente com o pai e dois amigos, por manifestantes bolivianos na estrada que dá acesso ao Salar de Uyuni.

A viagem do quarteto começou no sábado passado, quando eles embarcaram em Curitiba com destino a Santiago, no Chile. Depois, foram a San Pedro de Atacama, de onde partiria o passeio pela região de Uyuni.

No começo da tarde de terça-feira, enquanto viajavam em direção ao Salar de Uyuni, acabaram retidos por manifestantes bolivianos , que têm trancado estradas na região desde a semana passada, reclamando de exploradores estrangeiros de minas de sal, principalmente dos controladores japoneses da mina San Cristóbal.

"A gente não ficou com medo, não houve em nenhum momento ameaça de morte, mas a situação era ruim. Não podia sair dali", disse Diogo. Eles só foram liberados perto da meia-noite.

Ao seguir viagem, Diogo, o pai, Herotides Ruiz de Arruda, e os irmãos Marcos e Bruno Tosin, de 25 e 23 anos respectivamente, ainda presenciaram um acidente com uma das caminhonetes dos manifestantes. "A gente encontrou uma cena muito pesada. Dos quatro passageiros, dois estavam gravemente feridos e um deles estava morto", afirmou Diogo. "Uma cena que não me sai da cabeça é o pai do rapaz morto gritando Mi hijo!, Mi hijo!."

Aliviados, neste sábado os quatro estão em Santiago. Esta noite, Diogo e um dos irmãos embarcam para os EUA, onde devem ficar por duas semanas.

Diogo ainda segue para a Inglaterra e depois para a Rússia. Ele está bastante empolgado com seu roteiro e quer aproveitar ao máximo as férias. No entanto, lembra das tragédias vividas recentemente em todos os países que gostaria de visitar. "Para todos os lugares que comprei passagem - e agora na Bolívia - houve tragédias. Estou até com receio de ir aos Estados Unidos", confessou.

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