Por Will Dunham WASHINGTON (Reuters) - São necessários mais investimentos contínuos do governo federal dos Estados Unidos para que se cumpra a promessa feita pelo presidente Barack Obama de encontrar uma cura para o câncer na nossa época, disseram especialistas na quarta-feira.

A promessa de Obama ecoa a "guerra ao câncer" lançada em 1971 pelo então presidente Richard Nixon. Com a ampliação das verbas de pesquisa desde aquela época, houve avanços consideráveis contra a doença.

Desde 1991, o número de mortes por câncer cai ano após ano, e a chance de uma mulher morrer de câncer caiu mais de 10 por cento, enquanto para os homens diminuiu quase 20 por cento, segundo a Sociedade Americana do Câncer.

Mas a doença continua sendo a segunda que mais mata no país, atrás apenas dos problemas cardíacos. São 560 mil mortes anuais de câncer nos EUA.

A verba federal para a pesquisa médica tem oscilado desde a década de 1990, mas caiu durante quase todo o governo Bush.

Em discurso na terça-feira ao Congresso, Obama citou seu plano de recuperação econômica e disse: "Ele lançará um novo esforço para conquistar uma doença que tocou a vida de quase todos os norte-americanos, eu inclusive, ao buscar uma cura para o câncer na nossa época". A mãe e uma avó de Obama morreram de câncer.

O pacote de estímulo sancionado em 17 de fevereiro inclui uma injeção de 10 bilhões de dólares ao longo de dois anos no Instituto Nacional de Saúde, que financia pesquisas. Do total, 1,26 bilhão de dólares deve ir para pesquisas sobre o câncer.

"O que será mais importante é um crescimento sustentado no investimento nacional na pesquisa do câncer, porque há um tanto que podemos fazer com uma bolada de dinheiro em curto prazo", disse por telefone Richard Schilsky, da Universidade de Chicago, presidente da Sociedade Americana de Oncologia Clínica.

"Se o dinheiro for embora, então muitos projetos terão sido começados, mas não muitos terão sido completados", acrescentou ele.

Daniel Smith, presidente da Rede de Ação do Câncer, da Sociedade Americana do Câncer, disse que a derrota do câncer passa também por uma ampliação do sistema de saúde e prevenção a milhões de pessoas hoje desassistidas.

Especialistas dizem que o termo "cura do câncer" é algo incorreto, já que há muitos tipos de cânceres, muitos deles já curáveis. Schilsky afirmou que quase dois terços dos pacientes recém-diagnosticados terão uma sobrevida de pelo menos cinco anos sem a doença.

"O câncer é uma coleção heterogênea de doenças. Portanto, seria difícil imaginar uma panaceia contra o câncer", disse por telefone Tyler Jacks, presidente-eleito da Associação Americana para a Pesquisa do Câncer.

"Dito isso, concordo que, com um esforço dirigido e um investimento significativo, podemos ter um enorme impacto sobre a nossa capacidade de controlar o câncer nas próximas décadas", acrescentou.

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