Uma conferência internacional para discutir os altos preços do petróleo terminou neste domingo na Arábia Saudita com os principais países exportadores evitando se comprometer a elevar a produção - medida que vem sendo apontada como solução para a alta das cotações. Representantes de mais de 30 países produtores e consumidores de energia disseram que o nível atual dos preços é hostil e que investimentos adicionais são necessários para garantir estoques adequados da matéria-prima.

No entanto, nenhuma solução imediata foi indicada.

A Arábia Saudita, que já se comprometeu a elevar sua produção, culpou a especulação dos mercados, e não o nível de oferta, pela alta dos preços do petróleo.

Na última semana, o preço do barril da commodity no mercado internacional chegou a quase US$ 140 - um aumento de 40% só neste ano -, levando os principais países consumidores, como Estados Unidos e Grã-Bretanha, a pedir uma elevação na produção.

O primeiro-ministro britânico, Gordon Brown, presente na cúpula saudita, disse que a medida seria necessária para amenizar a "instabilidade" nos preços de energia.

"Estamos vivendo o terceiro grande choque de petróleo em 30 anos. Este é provavelmente o mais difícil. Os preços do petróleo são sentidos em todos os países do mundo", disse o premiê.

Produção
Apesar dos pedidos, o comunicado final do encontro, na cidade de Jidá, não faz referência a ações imediatas para amenizar a crise dos preços.

Os países dizem apenas que é necessário "um aumento apropriado do investimento" em produção para garantir que os mercados sejam "bem abastecidos de maneira adequada e a tempo".

Até agora, o único país que se mostrou disposto a elevar sua produção foi a Arábia Saudita, o maior fornecedor mundial.

Os planos sauditas são chegar até o fim de julho extraindo 9,7 milhões de barris por dia, um adicional de cerca de 200 mil barris em relação a hoje.

Além disso, os sauditas afirmaram que poderiam elevar até o fim de 2009 seu "colchão" de capacidade produtiva ociosa.

"Estamos muito preocupados com os consumidores em todos os países e declaramos nossa prontidão para atender qualquer necessidade adicional", disse no encontro o rei Abdullah bin Abdul-Aziz.

Ainda assim, o país insiste em que não é a falta de petróleo, e sim a especulação dos mercados, que está empurrando os preços para cima.

O rei saudita propôs aos membros da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) que contribuam com US$ 1 bilhão para um fundo destinado a ajudar países pobres enfrentando dificuldades em razão dos altos preços do petróleo.

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