Cúpula sobre clima termina com pedido de menos emissões e mais incentivos

Copenhague, 26 mai (EFE).- A Cúpula Empresarial Mundial sobre Mudança Climática terminou hoje, em Copenhague, com uma declaração genérica para que o próximo acordo global sobre clima inclua objetivos concretos para reduzir as emissões de gases estufa e aumentar os incentivos econômicos a novas tecnologias verdes.

EFE |

A declaração de Copenhague, definida por 500 líderes empresariais de 47 países, reivindicou que o acordo negociado dentro de seis meses na capital dinamarquesa estabeleça um caminho de estabilização, com objetivos de reduções para 2020 e 2050 baseados em dados científicos, mas sem fixar números concretos.

O novo acordo global, que substituirá o Protocolo de Kioto a partir de 2012, deve ser "ambicioso e efetivo" para acabar com a incerteza e criar padrões previsíveis para que as companhias possam investir em um crescimento econômico sustentável.

A ação "urgente" contra as mudanças climáticas e a recuperação da crise financeira são complementares, ressalta o documento, que respalda as conclusões do último relatório divulgado pelo Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) da ONU.

A declaração ressalta a necessidade de medir e verificar efetivamente as emissões de gases estufa, o que será a base para sua redução e um elemento confiável para investidores e cidadãos.

Um mercado internacional de bônus de carbono, construído em torno de objetivos ambiciosos, permitirá diminuir custos e dará estabilidade aos preços, o que facilitará o desenvolvimento de tecnologias para aumentar as reduções.

A declaração diz que o novo tratado deve incluir medidas que sejam "incentivos claros, previsíveis e a longo prazo para estimular o investimento privado e possibilitar a difusão de capital e tecnologia".

O texto reconhece a importância de adaptação aos efeitos das mudanças climáticas, que exigirá planejamento global a longo prazo, com diferentes níveis de ações locais, nacionais e internacionais.

Como as florestas e terras agrícolas são responsáveis por uma parte significativa do "sequestro de carbono" (capacidade das árvores de absorver e armazenar carbono atmosférico em forma de biomassa), um novo acordo mundial deve destinar fundos para proteger essas áreas.

O cientista australiano Tim Flannery, presidente do Conselho Climático de Copenhague e co-organizador da cúpula, entregou uma cópia da declaração ao primeiro-ministro dinamarquês, Lars Lokke Rasmussen, para que seja incluída nas próximas negociações.

Rasmussen qualificou de "crucial" a contribuição da comunidade empresarial para se chegar a um acordo, que deve ser "transparente e ambicioso" e incluir incentivos e fundos concretos para estimular o uso de tecnologias verdes, especialmente em países em desenvolvimento.

O primeiro-ministro dinamarquês encorajou outros países a seguir o exemplo da União Europeia (UE) com seu plano contra as mudanças climáticas e disse que o futuro acordo deve incluir reduções de 15% das emissões de CO2 até 2015 nos países desenvolvidos.

O secretário-executivo da Convenção das Nações Unidas sobre o Clima, Yvo de Boer, está seguro de que haverá um acordo "claro, simples e com sentido" em dezembro e avisou aos Governos que não deve haver "hesitações" na hora de cumprir com compromissos.

A ONG Oxfam International, presente na cúpula, criticou a declaração final por não incluir objetivos concretos e não ser diferente do que estava determinado antes do início da reunião.

"É irônico que as observações de Rasmussen sejam mais claras nos objetivos para reduzir emissões de CO2 que as que a cúpula lhe entregou", disse em comunicado seu diretor-executivo, Jeremy Hobbs, que criticou a ausência de números concretos e de ajudas a países em desenvolvimento.

"A reunião mostrou a escala do problema, mas não especificou as soluções", afirmou Hobbs.

A Cúpula Empresarial Mundial reuniu, durante três dias, líderes empresariais como o da companhia petrolífera britânica BP, do consórcio energético francês Alstom, do grupo industrial indiano Tata e da Pepsi.

A conferência foi inaugurada pelo secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, e nela participaram também o presidente da Comissão Europeia (órgão executivo da UE), José Manuel Durão Barroso, o ex-vice-presidente dos EUA, Al Gore, e Rajendra Pachauri, presidente do IPCC das Nações Unidas. EFE alc/pd/rr

    Leia tudo sobre: iG

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG