Cúpula: presidente eleito do Paraguai reclama com Brasil sobre Itaipu

O presidente eleito do Paraguai, Fernando Lugo, reiterou, nesta sexta-feira, sua reivindicação ao Brasil de receber mais dinheiro pela energia da hidrelétrica binacional de Itaipu, ao se reunir com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, na V Cúpula América Latina e Caribe-União Européia.

AFP |

Lula se comprometeu a enviar seu assessor para assuntos internacionais, Marco Aurélio Garcia, "para preparar um encontro específico sobre o tema, o mais rápido possível", contou Lugo, em uma entrevista coletiva, antecipando que pode ser em 16 de agosto, no dia seguinte de sua posse presidencial.

"Na primeira conversa que tivemos com o presidente Lula, ele se mostrou aberto. Acho que conseguimos algo: depois de 34 anos, instalamos o tema da hidrelétrica como um tema de debate no Paraguai, Brasil e outros. E hoje não se pode pensar em uma integração justa sem levar em conta a integração energética", afirmou Lugo.

O presidente recém-eleito, que fez do tema da energia um dos pontos básicos de sua campanha eleitoral, destacou que o tratado de Itaipu, firmado em 1973, "não é um tratado justo para o Paraguai".

"O que mais nos preocupa é o preço da energia. Embora o mesmo tratado diga que um dos países sócios que produz a energia deva vendê-la com preferência para seu sócio, se não for utilizá-la, consideramos que hoje isso se dá a preço de custo e reivindicamos que seja a preço de mercado".

"Nenhum país dá seu bem natural a preço de custo. A Venezuela não dá seu petróleo a preço de custo, mas a preço de mercado. O Chile, seu cobre, a Bolívia, seu gás. O Paraguai é um dos poucos países que dá sua energia a preço de custo", frisou.

A usina binacional de Itaipu tem capacidade de geração de 90.000 GW/hora. Desse total, cada país tem direito a 50%, mas o Paraguai consome apenas 7,78%. O excedente é vendido para o Brasil.

De acordo com Marco Aurélio Garcia, Lula ofereceu programas de desenvolvimento industrial e agrícola para o Paraguai, pediu que "se estimule a cooperação e se mantenha um diálogo franco e, sobretudo, promovam-se programas para a industrialização do Paraguai".

O assessor do presidente Lula disse ainda que esse conjunto de iniciativas e programas será debatido em sua próxima viagem ao Paraguai e, sobre Itaipu, contou que "Lula se mostrou disposto a negociações, mas o tratado não está em questão".

aic/tt/LR

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