Cúpula no Japão deixa Brasil e México mais próximos do G8

Patricia Souza Tóquio, 10 jul (EFE).- A cúpula do Grupo dos Oito (G8, grupo dos sete países mais ricos do mundo e a Rússia) em Hokkaido, no Japão, extinguiu o antigo formato das reuniões dos países ricos, e abriu a porta para a participação permanente de outras grandes economias, como Brasil e México.

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Juntamente com China, Índia e África do Sul, as duas potências emergentes latino-americanas estiveram entre as "vencedoras" da reunião do Japão, que confirmou o direito destas nações a estarem presentes, todos os anos, no fórum em que os países mais ricos do mundo tomam suas decisões.

O diretor-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI), Dominique Strauss-Kahn, disse ao término da cúpula de Hokkaido que "faz sentido" incluir de forma definitiva os cinco países emergentes no G8, e que isso "acontecerá em algum momento".

"Não tenho nenhuma dúvida. Não sei quando, mas em um futuro próximo o G8 será expandido", apontou Strauss-Kahn ao término da cúpula de três dias, que foi encerrada nesta quarta-feira na ilha japonesa de Hokkaido.

A maioria dos líderes do G8, no entanto, não apóia a ampliação do grupo para um "G13", como reivindica o presidente francês, Nicolas Sarkozy, mas admite que o mundo está diferente e que é preciso contar com a opinião de outras grandes economias.

"É evidente que o G8, por si só, não é adequado para resolver muitos problemas do mundo", admitiu a chanceler alemã, Angela Merkel, que é a favor do diálogo com outros países, mas não da ampliação de forma permanente do grupo dos países mais ricos.

De fato, já foi alterado o formato da reunião anual do G8, integrado há mais de 30 anos por Estados Unidos, Reino Unido, França, Alemanha, Canadá, Itália e Japão, e desde 1997 também pela Rússia.

O primeiro-ministro italiano, Silvio Berlusconi, que em 2009 assumirá a Presidência rotativa do G8, anunciou que na cúpula do próximo ano, em Sardenha (Itália), será dedicado um dia inteiro ao diálogo com os países "que hoje são chamados de emergentes".

Outro dia será dedicado, como já ocorreu em Hokkaido, a intercambiar opiniões com países africanos e com o chamado MEM (Reunião das Maiores Economias, na sigla em inglês), do qual fazem parte as cinco potências emergentes junto com Indonésia, Coréia do Sul e Austrália.

Há cinco anos os líderes dos países emergentes participam das cúpulas do G8, mas desta vez, diante da seriedade dos problemas econômicos, suas vozes foram ouvidas com mais força.

Os países emergentes chegaram ao Japão sabendo que, para fazerem frente a problemas como mudança climática, crise alimentícia, estagnação econômica e alta dos preços do petróleo, será necessária a "cooperação", como concluiu o G8 em uma declaração sobre o aquecimento global.

Os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Felipe Calderón, do México, que mantiveram na cúpula um intenso programa de reuniões bilaterais, evitaram, junto com outros parceiros do G5, se comprometer a estabelecer metas para reduzir as emissões de CO2 na atmosfera, como os países ricos haviam pedido.

A tese das economias emergentes é de que não podem sacrificar seu crescimento econômico para controlar um problema criado há mais de um século pelas antigas potências imperialistas, que agora acusam em parte o desenvolvimento industrial da China, quarta economia mundial, como causa maior da poluição.

Essas idéias foram recolhidas pelo G8 durante uma cúpula que concordou que a mudança climática é um problema global de cuja solução todos devem participar, idéia aceita também por EUA e Canadá, os que mais se negam, dentre os países desenvolvidos, a tomarem drásticas medidas ecológicas.

Os EUA, junto com o Japão e a Rússia, são contrários à ampliação do G8: os dois primeiros por sua desconfiança quanto ao poderio chinês, e o terceiro, possivelmente porque China e Brasil o superam em Produto Interno Bruto (PIB). EFE psh/fh/gs

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