Cúpula na Venezuela pede reforma do Conselho de Segurança

A 2ª Cúpula América do Sul-África terminou neste domingo com o pedido de reforma do Conselho de Segurança das Nações Unidas para corrigir os desequilíbrios da instituição e torná-mais democrática. A declaração de Nueva Esparta, firmada pelos chefes de governo e representantes de 51 países dos dois continentes presentes no encontro em Isla Margarita, na Venezuela, afirma que é necessário reformar o Conselho de Segurança para garantir maior participação dos países em desenvolvimento.

BBC Brasil |

"Com o fim de corrigir os atuais desequilíbrios e fazer deste Conselho um órgão mais democrático, transparente, representativo e legítimo (...), que responda às novas realidades políticas", diz o documento.

Na véspera, durante a sessão de abertura da Cúpula, o presidente Luiz Inácio da Silva chegou a afirmar que o Conselho de Segurança "perdeu relevância".

Cooperação
Na declaração de 28 páginas, os países reiteram o compromisso de estreitar a cooperação do eixo Sul-Sul, destacando as áreas de combate à fome, promoção do multilateralismo, democracia, direitos humanos, agricultura, biotecnologia, economia, comércio e turismo.

As atividades de cooperação entre as duas regiões serão monitoradas por uma secretaria que ainda será constituída, cuja coordenação inicial estará a cargo da Venezuela.

Para o presidente Lula, embora os resultados da Cúpula não se vejam imediatamente, sua realização é uma "extraordinária vitória política" para a América do Sul e a África. A seu ver, a integração efetiva das duas regiões "pode mudar a geografia política e econômica do mundo".

Para o líder brasileiro, as duas edições da cúpula ASA colocaram uma "nova lógica política que não existia há dez anos". O primeiro encontro foi realizado há três anos, em Abuja, na Nigéria. A próxima reunião deverá ser realizada na Líbia, em 2011.

Em seu discurso de despedida da Cúpula, Lula disse que as duas regiões continuarão enfrentando problemas para promover a integração, mas a seu ver, as dificuldades podem ser superadas.

"Dependemos muito mais de nossas decisões do que das ajudas e decisões externas, que esperamos durante todo o século 20", afirmou.

Crescimento
Em entrevista coletiva pouco antes do seu retorno a Brasília, Lula relatou ter dito ao presidente americano, Barack Obama, durante a reunião do G20 em Pittsburgh, que dele depende a retomada das negociações na Rodada Doha sobre o comércio mundial, e que o êxito dessas negociações pode melhorar a competitividade das exportações africanas.

"Eu disse a meu amigo Obama que está nas mãos (dos EUA) o recomeço das negociações na OMC para concluirmos a Rodada Doha, porque essa é a possibilidade que nós temos de fazer com que o mundo africano possa produzir e ter acesso ao mercado agrícola europeu", afirmou.

Em referência à rápida recuperação da economia brasileira durante a crise financeira internacional, em comparação com as grandes economias dos países desenvolvidos, Lula disse ter brincado com Obama.

"Enquanto o Brasil gerava em agosto 242 mil novos postos de trabalho, os EUA demitiram 700 mil trabalhadores", disse.

O presidente disse que a economia brasileira poderá crescer 5% no próximo ano. "Ao mesmo tempo, os países ricos não têm clareza se a crise econômica já chegou ao final", afirmou.

Lula retornou a Brasília no início da tarde, pouco antes do encerramento oficial da Cúpula. A reunião bilateral prevista com o presidente venezuelano, Hugo Chávez, foi adiada para meados de outubro. "Chávez respirou aliviado quando disse que deveríamos adiar", brincou.

O presidente confirmou que no próximo encontro bilateral, no qual pretende participar da colheita da soja plantada pela Embrapa na Venezuela, as estatais petroleiras PDVSA e Petrobras firmarão o acordo de associação da empresa mista que opera na construção da refinaria Abreu e Lima, em Pernambuco.

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