Cúpula Ibero-Americana analisará propostas para melhorar situação de jovens

Redação Central, 28 out (EFE) - As propostas destinadas a melhorar a situação dos jovens e a análise das conseqüências da crise financeira mundial centrarão os debates dos chefes de Estado e de Governo ibero-americanos em sua cúpula anual em San Salvador.

EFE |

Os governantes estão convocados desde a Cúpula Ibero-Americana do Chile para debater, de 29 a 31 de outubro, o tema "Juventude e Desenvolvimento", mas alguns pediram esta semana um amplo debate sobre a crise financeira mundial.

O Brasil manifestou seu interesse em aproveitar a reunião para insistir em que são necessários maiores controles sobre os mercados internacionais a fim de ordenar o sistema e evitar turbulências no futuro.

A presidente do Chile, Michelle Bachelet, já havia enviado uma carta aos organizadores da cúpula e ao resto de governantes para solicitar que se falasse "explicitamente" sobre a crise financeira e que a região ibero-americana se expressasse com uma "voz comum", segundo informou nesta quarta-feira o chanceler Alejandro Foxley.

"Seria inexplicável que não houvesse uma tentativa de pelo menos contribuir para uma colocação comum dos países ibero-americanos em resposta a esta crise", declarou o chanceler chileno.

A Espanha apóia a proposta de Bachelet e defenderá a necessidade de alcançar um acordo para fazer frente a um problema que já é global, informaram à Agência Efe fontes oficiais.

"Neste momento, mais do que nunca, é necessário o acordo", disseram as fontes, que acrescentaram que a situação mundial demonstra que as cúpulas ibero-americanas têm agora "mais sentido do que nunca".

Os ministros de Educação dos 23 países da região ibero-americana admitiram em reuniões prévias os problemas e as carências que terão que enfrentar para garantir que os jovens possam criar seu projeto de vida, concluir com sucesso o ensino médio, continuar seus estudos e conseguir se inserir no mercado de trabalho.

A reunião de San Salvador incluirá compromissos em educação, saúde, emprego e cultura, com programas concretos, além de um plano ibero-americano de cooperação e integração da juventude, que servirá de referência para a elaboração de políticas em todos os países, disseram fontes espanholas.

O Brasil exporá seu programa Bolsa Família, que auxilia quase 11 milhões de famílias pobres com filhos em idade escolar.

A Espanha é consciente de que o tema das migrações preocupa muito a América Latina, por isso explicará a nova situação criada com a diretiva européia de retorno de imigrantes, segundo fontes do Executivo.

O México, um país onde a metade de seus 106 milhões de habitantes tem menos de 25 anos, explicará os resultados de seu programa nacional da juventude, com o qual pretende coordenar as políticas dos ministérios a favor de uma melhor formação dos jovens, disseram à Efe fontes do Governo.

A Argentina reafirmará a luta contra a discriminação nos âmbitos da juventude e educação, assim como a necessidade e a importância do papel do Estado em estabelecer políticas públicas destinadas a melhorar a qualidade de vida e garantir a inclusão social dos jovens, segundo fontes da Chancelaria.

Portugal, sede da cúpula de 2009 que terá como tema "Inovação e Conhecimento", considera o processo ibero-americano "um espaço ideal de reflexão e desenvolvimento" para responder aos desafios da globalização e promover "uma definição clara de objetivos regionais de política externa", segundo fontes oficiais.

O presidente anfitrião, o salvadorenho Elías Antonio Saca, convidou a cantora colombiana Shakira a apresentar o programa da Fundação América Latina em Ação Solidária (Alas), criado em 2006 por artistas, intelectuais e empresários para gerar um compromisso coletivo de atendimento às crianças latino-americanas.

Cuba insistiu na condenação ao "imperialismo" dos Estados Unidos e em denunciar o "bloqueio" comercial e econômico que Washington mantém há quase meio século sobre a ilha.

A Bolívia exporá os avanços do Governo em programas sociais, como o pagamento de um bônus de US$ 28 anuais para estimular a escolaridade de crianças e outro no mesmo valor, porém mensal, para ajudar os maiores de 65 anos, disse à Efe seu ministro de Relações Exteriores, David Choquehuanca.

O Paraguai considera que a cúpula poderia servir para articular planos e condições para que a migração "não aumente a cada ano", sobretudo a dos jovens do país, onde 30% de seus seis milhões de habitantes têm entre 15 e 29 anos, declarou à Efe a vice-ministra da Juventude, Karina Rodríguez.

O Uruguai exporá o andamento do plano Ceibal de um computador por aluno e professor, e o projeto destinado a reduzir o trabalho de menores de 16 anos, segundo fontes do Ministério de Relações Exteriores.

A República Dominicana insistirá na necessidade dos países mais desenvolvidos de apoiar os pobres que sofreram o impacto dos desastres naturais ocasionados por tempestades tropicais e furacões nos últimos meses, como Haiti e Cuba.

Na América Central, a Costa Rica tem como prioridades a educação, a cooperação e a natureza, enquanto países como Panamá, Nicarágua, Honduras e Guatemala proporão projetos que beneficiem os jovens e fortaleçam sua participação na vida política, segundo diversas fontes. EFE mmg/ab/db

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