Cúpula dos BRICs pede uma ordem mundial mais justa

EKATERIMBURGO - Os líderes das quatro potências emergentes, Brasil, Rússia, Índia e China (BRIC), pediram nesta terça-feira uma maior diversificação do sistema de divisas mundial, em uma declaração final ao término de sua primeira reunião de cúpula realizada com o objetivo básico reforçar sua influência internacional ante a crise econômica mundial.

Redação com agências internacionais |

"Acreditamos que é muito necessário ter um sistema de divisas estável, previsível e mais diversificado", afirma a declaração final do encontro, citada pelas agências de notícias russas.

A declaração parece fazer referência ao dólar americano, do qual autoridades russas afirmaram diversas vezes que não tem cumprido a função como principal divisa de reserva do mundo .

AFP
O presidente Lula ao lado dos líderes da Rússia, China e Índia.

O presidente russo Dimitri Medvedev também considerou que essa primeira reunião dos BRICs deve permitir o surgimento de uma "ordem mundial mais justa".

"A cúpula dos BRICs deve criar as condições para uma ordem mundial mais justa", afirmou Medvedev ao término da reunião informal com seus colegas, o brasileiro Luiz Inacio Lula da Silva, o chinês Hu Jintao e o primeiro-ministro indiano Mamohan Singh.

"Uma coordenação desse tipo nos ajudará a entender as posições dos demais e a elaborar novos modos, não convencionais, de solucionar os problemas existentes e reformar as relações financeiras internacionais", afirmou Medvedev na abertura da reunião em Ekaterimburgo (nos Urais, Rússia).

A reunião dos BRICs visa a exercer uma liderança responsável para ajudar a reconstruir um governo global em momento de crise, afirmou, por sua vez, o presidente Lula em um artigo publicado no jornal espanhol El País.

"Há cada vez mais esperanças depositadas em que nossos quatro países sejam capazes de exercer uma liderança responsável com o objetivo de ajudar a reconstruir um governo global e um crescimento sustentável para todos", destaca Lula no texto.

A primeira reunião de cúpula deste grupo informal "representa um fato importante na relação de nossos países com um mundo que está experimentando mudanças profundas", acrescenta o presidente brasileiro.

No texto, Lula se compromete ao lado dos colegas de BRIC a "oferecer respostas novas para velhos problemas que precisam de respostas urgentes", assim como "uma liderança corajosa frente à inércia e indecisão".

Os BRICs pedem ainda a adoção de um sistema de supervisão supranacional do sistema financeiro internacional, o fim dos subsídios agrícolas que prejudicam suas exportações e recursos para a adaptação tecnológica dos países em desenvolvimento.

Na reunião do G20 de Londres, em abril, também conseguiram o "compromisso de estabelecer um fundo que forneça ajuda econômica rápida e eficaz - sem dogmas neoliberais - aos países prejudicados pela repentina queda das exportações e a crise do crédito", lembrou Lula no artigo.

Também afirma que o grupo pressionará por uma nova tentativa de levar a Rodada de Doha a uma conclusão rápida e equilibrada.

Por fim, considera "urgente a renovação nas Nações Unidas para que as instituições multilaterais recuperem a importância".

Segundo uma fonte do Kremlin, os participantes do BRIC vão analisar os meios para reforçar suas moedas, por exemplo com a compra mútua de obrigações, mas não com o objetivo de enfraquecer o dólar.

As moedas podem se beneficiar de um reforço dos laços econômicos e comerciais, mas também dos investimentos mútuos em obrigações do Estado, declarou o principal conselheiro econômico do Kremlin, Akadi Dvorkovich, citado pelas agências de notícias russas.

"É possível que se trate (durante a cúpula) de investir parte das reservas dos instrumentos financeiros dos países sócios, ou seja, poderemos investir uma parte de nossas reservas não apenas em bonos do Tesouro americano e europeu, como também nos instrumentos financeiros emitidos por nossos sócios do BRIC", concluiu.

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