Cúpula do Mercosul termina com poucos avanços na integração econômica

Tucumán (Argentina), 1 jul (EFE).- A 35ª Cúpula do Mercosul terminou hoje na cidade argentina de Tucumán com tímidos avanços em relação à integração econômica e com pedidos para que se encare com responsabilidade a atual conjuntura mundial em que os alimentos e a energia têm seus preços elevados.

EFE |

"Temos hoje uma oportunidade como nunca antes tivemos em nossa história", afirmou a anfitriã da reunião, a argentina Cristina Fernández de Kirchner, ao inaugurar a cúpula.

"A situação atual de preços dos alimentos e da energia coloca a região diante de uma oportunidade inédita se soubermos aproveitá-la em termos de solidariedade e integração regional", ressaltou.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que assumiu hoje a Presidência rotativa do Mercosul, pediu aos demais líderes que tomem precauções para não terminar importando problemas gerados nos Estados Unidos e na Europa.

Lula recebeu em Tucumán o apoio dos demais presidentes sul-americanos em suas críticas aos que atribuem a crise alimentícia à produção de biocombustíveis e ao aumento da demanda em países em desenvolvimento como China e Índia.

A primeira a apoiar Lula foi a presidente argentina, que denunciou que especuladores financeiros passaram agora para o setor de alimentos.

"Me causa uma sensação entre a indignação e o riso, porque parece que muita gente que antes não comia ou mal comia agora come decente e dignamente, e isso se transforma em um problema", disse a líder argentina.

"Todos sabemos que um dos problemas principais (...) é esta sorte de especulação que agora está em ativos mais seguros que os de um banco", comentou Cristina.

Lula disse que é preciso cobrar e "debater sobre estas questões" e se queixou da "pouca clareza" existente sobre as razões da crise alimentícia mundial.

"Temos que ter cuidado para (evitar) que uma crise que está a quilômetros se transforme em uma crise nossa", disse o presidente brasileiro.

A chefe de Estado chilena, Michelle Bachelet, falou sobre a ameaça que a inflação consiste para os países da região.

"A inflação subiu em cada um de nossos países e é difícil deter isso", assinalou.

"Possivelmente, a questão dos alimentos é mais séria do que nós podemos compreender", comentou Lula, que destacou o consenso alcançado com seus colegas para criar, como propôs a Venezuela, um grupo de trabalho para analisar possíveis políticas comuns para enfrentar o problema.

O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, propôs a execução de um plano de emergência para a produção de alimentos financiado com fundos petroleiros e se mostrou disposto a doar mais US$ 920 milhões, valor que segundo ele é gerado pelos lucros venezuelanos com o aumento do preço do petróleo.

Junto com a crise alimentícia e a alta dos preços da energia, as críticas contra a nova política de imigração da União Européia marcaram o debate presidencial, que foi concluído com a aprovação de um documento conjunto de rejeição a chamada diretiva de retorno.

Como era previsto, a reunião do Mercosul impulsionou a integração comercial com a aprovação de um Programa de Integração Produtiva e um fundo para pequenas e médias empresas.

A declaração final expressou o interesse do bloco em retomar "tão em breve como as condições permitam" as negociações para um acordo de associação política e comercial com a UE.

O bloco sul-americano avançou na assinatura de convênios de preferências tarifárias fixas com a União Aduaneira da África Austral e acordos com Turquia e Jordânia.

De hoje até a próxima cúpula, prevista para acontecer em dezembro em Salvador, na Bahia, o Brasil assume a Presidência temporária do bloco. EFE mar/rr

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