Gaspar Ruiz-Canela. Hua Hin (Tailândia), 5 abr (EFE).- A primeira cúpula da Comissão do Rio Mekong acabou hoje na Tailândia com um acordo dos seis países asiáticos participantes para colaborar no desenvolvimento sustentável da região e com a aceitação da China em facilitar informações.

Camboja, Laos, Tailândia e Vietnã, que formam a bacia inferior do rio de 4.350 quilômetros, fundaram esta comissão em 1995, enquanto China e Mianmar, na parte superior, mantêm o status de observadores.

"China compartilhou com os demais países os dados de suas três represas em funcionamento e da quarta em construção", indicou em entrevista coletiva o chefe do Governo tailandês, Abhisit Vejjajiva, após a clausura em Hua Hin, cerca de 180 quilômetros ao sul de Bangcoc.

"Nossa prosperidade econômica, social e ambiental dependerá do modo como vamos proteger e compartilhar os benefícios das fontes aqüíferas comuns", lembrou o governante.

A "Declaração de Hua Hin", emitida no final de dois dias de conversas, defende a colaboração frente à mudança climática e o crescimento demográfico.

"Os Governos do Mekong acordaram intensificar os esforços para combater as inundações, melhorar a navegação e a qualidade da bacia, assim como estudar as oportunidades e desafios com relação às represas hidroelétricas", segundo um comunicado da Comissão.

Participaram dos debates os primeiros-ministros do Laos, Bouasone Bouphavanh; Camboja, Hun Sen; e Vietnã, Nguyen Tan Dung, além do vice-ministro chinês de Assuntos Exteriores, Song Tao, e o titular de Exteriores birmanês, Nyan Win.

A redução do nível do Mekong ao menor nível em 50 anos na bacia inferior, onde 60 milhões de pessoas vivem deste curso de água, foi o assunto principal do encontro.

Devido à escassez de peixes, centenas de famílias tiveram que abandonar seus lares nas margens do rio e buscar outro meio de subsistência.

As autoridades chinesas e um estudo da Comissão do Rio Mekong apresentado nesta reunião atribuem a redução do volume de água a uma seca extrema que atinge a região, mas as comunidades locais e ONGs culpam as represas construídas e em construção pela China.

O vice-ministro chinês de Exteriores insistiu no fechamento da cúpula que "as estatísticas demonstram que o baixo nível do rio se deve à seca e não às represas hidroelétricas. A China também sofre com a forte estiagem", afirma.

As primeiras denúncias às plantas hidroelétricas chinesas datam de 2004, quando comunidades de pescadores na bacia baixa observaram variações no nível de água.

Song Tao destacou o interesse da China em proteger a biodiversidade do Mekong e se comprometeu em aumentar a cooperação com o restante dos países da bacia.

A China, que rejeitou incorporar-se ao grupo como sócio pleno para evitar compartilhar dados de suas represas no rio Lancang, como chamam o curso de água, agora procura conquistar maior peso no fórum.

Na ribeira superior, a China conta com três represas hidroelétricas que conjuntamente produzem 11.600 megawatts e dentro de dois anos terminará uma quarta, com 4.200 megawatts de capacidade.

Outras 11 plantas estão em processo de estudo na bacia inferior, que oferece uma capacidade hidroelétrica potencial de 30.000 megawatts.

Cerca de 75% dos projetos da Comissão do Rio Mekong são financiados por sócios não membros, fundamentalmente países escandinavos, Bélgica, Austrália, Estados Unidos, o Banco Mundial e o Banco Asiático de Desenvolvimento.

Do total de US$ 17,5 milhões destinados aos projetos em 2009, Dinamarca forneceu US$ 4,4 milhões; Austrália, US$ 3,9 milhões; e Finlândia, US$ 2,8 milhões. EFE grc/dm

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