Cúpula do G8 termina com acordos vagos e líderes satisfeitos

Fernando A. Busca Toyako (Japão), 9 jul (EFE).

EFE |

- A cúpula do Grupo dos Oito (G8, sete países mais industrializados e a Rússia) foi encerrada hoje, no Japão, com palavras otimistas por parte dos líderes de Estado e Governo, mas posições distantes, que não permitiram acordos substanciais em muitos temas.

A conquista que a maioria dos países ricos comemorou ao final da cúpula foi o acordo para reduzir pela metade as emissões de gases de efeito estufa até 2050 e a busca de "metas ambiciosas" a um prazo mais curto. O compromisso, no entanto, foi qualificado pelas organizações ambientalistas como um "fracasso".

O presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, se despediu do Japão afirmando que o G8 conseguiu "êxitos significativos em cada uma de suas metas", entre elas a de comprometimento com "reduções profundas" nas emissões de dióxido de carbono (CO2) de países como Índia e China, juntamente com outras seis economias avançadas.

A estrela foi a mudança climática, mas uma série de outros temas foram debatidos nos três dias da cúpula de Hokkaido, como os crescentes preços do petróleo, a crise mundial de alimentos e as sanções ao Zimbábue.

Este último assunto, o das sanções ao regime do presidente zimbabuano, Robert Mugabe, foi adiado para a próxima reunião do Conselho de Segurança das Nações Unidas, embora EUA e Reino Unido tenham mostrado claro desejo de punir o Zimbábue.

A União Européia (UE) e o Japão chegaram com a intenção de forçar Bush a um certo grau de compromisso, e tanto o presidente da Comissão Européia (CE, órgão executivo da UE), José Manuel Durão Barroso, quanto o primeiro-ministro do Japão, Yasuo Fukuda, disseram hoje estarem voltando para casa com a "missão cumprida".

Em entrevista coletiva como presidente rotativo do G8, Fukuda sugeriu que o acordo para reduzir pela metade as emissões conseguido em Hokkaido tem como referência os níveis de CO2 liberados atualmente na atmosfera.

Embora a UE deseje partir dos níveis de 1990, Durão Barroso considerou que o pacto firmado pelo G8 representa um "notável progresso".

O presidente da CE disse que ainda há "muito trabalho pela frente", antes de deixar o hotel protegido por 20 mil policiais e dezenas de veículos militares onde foi realizada a cúpula.

Visivelmente satisfeito, o primeiro-ministro do Reino Unido, Gordon Brown, afirmou que a cúpula tinha sido "única", tanto por seu formato, integrado por 22 países, quanto pelos temas tratados.

A imagem projetada pelos líderes do G8 foi de concórdia e entendimento, e Fukuda afirmou que, durante a cúpula, as conversas foram "francas", embora em nenhum momento tenha chegado a haver desentendimento.

Segundo Fukuda, "todos os membros do G8" superaram suas diferenças para alcançar acordos.

A inflação e o alto preço do petróleo, e a "preocupação" que causam aos líderes do G8, foram outro dos principais assuntos da cúpula, com foco sobre o presidente da Rússia, Dmitri Medvedev.

Medvedev, que protagonizou uma das poucas saídas de tom do dia, quando afirmou que a Rússia responderá ao acordo antimísseis assinado ontem por EUA e República Tcheca, anunciou que seu país aumentará a produção de alimentos para combater a crise atual.

Os países do G8 concordaram em incentivar os países produtores de petróleo a produzirem mais, e enfatizaram a necessidade de aumentarem a capacidade de refino, com o objetivo de que uma oferta ampliada possa atender à crescente demanda internacional.

Durante seu comparecimento final, o primeiro-ministro da Itália, Silvio Berlusconi, falou ainda sobre a cúpula do G8 do próximo ano, que seu país organizará na Sardenha.

Berlusconi anunciou que manterá um formato similar na cúpula de 2009, na qual se dedicará um dia inteiro ao diálogo entre o G8 e os emergentes do chamado Grupo dos Cinco, integrado por Brasil, China, Índia, México e África do Sul. EFE fab/wr/gs

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