Cúpula do clima termina com acordo de mínimos e oposição de países

Copenhague, 19 dez (EFE).- A cúpula da ONU sobre mudança climática (COP15), realizada em Copenhague, terminou hoje com um acordo de mínimos, que teve a oposição aberta e foi duramente criticado por vários países, como Venezuela, Nicarágua, Cuba e Bolívia.

EFE |

Em entrevista coletiva após se chegar ao acordo, o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, disse que trabalhará para transformar esse texto "em um tratado legalmente vinculativo em 2010".

Ban destacou que "os alicerces do primeiro acordo global para limitar os gases do efeito estufa foram colocados nesta cúpula", e disse que não podia precisar a data, mas lembrou que a próxima conferência sobre a mudança climática acontecerá no México no ano que vem.

O secretário-geral acrescentou que haverá uma estreita coordenação com o presidente mexicano, Felipe Calderón, a quem descreveu como um homem "comprometido com o meio ambiente".

Calderón afirmou nesta madrugada que o texto que estava sendo debatido no último dia da cúpula em Copenhague "está longe do que o mundo esperava e do que o mundo precisa".

A Presidência da conferência anunciou que havia "tomado nota do acordo de Copenhague de 18 de dezembro de 2009", que incluirá uma lista dos países a favor e contrários ao texto.

A ONU recorreu a esta fórmula para tornar operacional o acordo, que foi duramente criticado como sendo ilegítimo por países como Venezuela, Nicarágua, Cuba, Bolívia e Sudão.

Para que pudesse se transformar em um acordo das Nações Unidas, o texto deveria ser adotado por unanimidade pelos 192 países presentes na conferência.

O texto estava sendo negociado desde quinta-feira e foi fechado na sexta-feira pelo presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, em reunião com vários chefes de Estado e finalmente com China, Índia e África do Sul, sob mediação do Brasil.

Embora todos os grupos regionais estivessem representados na reunião, alguns países se sentiram excluídos, porque o acordo foi anunciado antes que pudessem ver o documento.

No entanto, e diante das críticas em relação ao processo de negociação, o porta-voz da ONU Robert Orr disse que nunca em sua vida nas Nações Unidas tinha visto uma negociação tão "genuína".

Todos os líderes negociavam e redigiam minutas, explicou, e deu como exemplo o presidente Lula Inácio Lula da Silva, que comentou que voltou a se sentir como um dirigente sindical.

O acordo de Copenhague foi um modo de salvar a reunião após o fracasso de 12 dias de negociações em Copenhague para conseguir um texto ambicioso que sucedesse, em 2012, o Protocolo de Kioto, o único tratado que obriga 37 nações industrializadas e a União Europeia (UE) a reduzir suas emissões de dióxido de carbono (CO2).

O acordo, de caráter não vinculativo, está muito longe das expectativas geradas em torno da maior reunião sobre mudança climática da história, e não determina objetivos de redução de gases do efeito estufa, mas limita o aumento de temperaturas a 2 graus centígrados para evitar uma catástrofe.

Também estabelece um fundo total de US$ 10 bilhões entre 2010 e 2012 para os países mais vulneráveis, a fim de que façam frente aos efeitos da mudança climática, e US$ 100 bilhões anuais a partir de 2020 para mitigação e adaptação. EFE ik/an

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