Cúpula do Apec termina sem entrevista nem decisões significativas

Lima, 23 nov (EFE).- A Cúpula de Líderes do Fórum de Cooperação Ásia-Pacífico (Apec) terminou hoje com uma extensa declaração sem medidas que representem mudanças radicais na agenda traçada e com uma debandada geral dos participantes sem fazer declarações à imprensa, após suspenderem a entrevista coletiva final.

EFE |

O primeiro a deixar Lima foi o presidente de EUA, George W. Bush, que esteve acompanhado de sua mulher, Laura, e de sua filha, Bárbara, na qual possivelmente será sua última viagem oficial, pois deixa o cargo em 20 de janeiro, dando lugar ao democrata Barack Obama.

Pelo contrário, o presidente russo, Dmitri Medvedev, ficará amanhã no Peru para uma visita oficial.

Com a suspensão da entrevista coletiva final, o último ato público da cúpula foi um discurso do presidente do Peru, Alan García, para informar as linhas gerais da declaração.

A Declaração de Lima é um reconhecimento expresso da gravidade da crise econômica e da necessidade de não se separar do caminho do livre-comércio escolhido pelo Fórum de Cooperação Econômica da Ásia-Pacífico desde sua fundação, em 1989.

É "um dos desafios econômicos mais sérios que nos apresentaram até agora", disseram em sua declaração os chefes de estado e de Governo reunidos na capital peruana ontem e hoje, que, ao mesmo tempo, manifestaram sua determinação de enfrentar a crise e de assumir suas responsabilidades sociais.

"Vamos ganhar da crise com a ajuda dos povos e das empresas", afirmou enfaticamente o presidente peruano ao apresentar as linhas gerais da declaração e passar a liderança do Apec a Cingapura, que organizará a cúpula de 2009.

"Esta crise será passageira. A Apec é o melhor instrumento anticrise", proclamou García antes de conclamar todos a não caírem no pânico e na incerteza.

Previamente, o anfitrião e os demais líderes posaram para a tradicional foto destas cúpulas, vestidos com um poncho de lã de alpaca como os utilizados pelos peruanos.

A declaração de Lima parece estar guiada por um dos princípios básicos do bom senso, o que aconselha não fazer mudanças radicais em épocas de crise.

Assim, a meta de criar uma área de livre-comércio na região Ásia Pacífico fica guardada para o longo prazo e o único passo dado nesta direção é o de encarregar mais estudos para determinar os prós e contras antes de definir sua criação.

A defesa da liberdade para comercializar e investir e a rejeição ao protecionismo, manifestadas quase unanimemente nesta cúpula, deram como resultado uma das poucas medidas concretas incluídas na declaração, mesmo apenas reiterando o combinado há oito dias pela Cúpula do G20 em Washington (EUA).

Os 21 países de Apec se absterão de erigir novas barreiras comerciais nos 12 meses que transcorrerão até sua próxima Cúpula de Líderes, em Cingapura, onde a Apec tem sua sede.

Além disso, apoiaram uma conclusão "pronta, ambiciosa e equilibrada" das negociações da Rodada de Doha, que se encontram em ponto morto.

A cúpula ainda serviu de cenário para numerosas reuniões bilaterais ou multilaterais, e de cerimônias de assinatura de convênios e acordos, e inclusive de Tratados de Livre-Comércio entre países do grupo.

Ao grupo P-4, formado pelo Chile, Nova Zelândia, Brunei e Cingapura, se somaram em Lima mais três países - Peru, Estados Unidos e Austrália -, e os sete se comprometeram a iniciar em março próximo a negociação para criar uma área de livre-comércio.

O Peru foi o país mais ativo na assinatura de acordos. Somente com a China assinou um Acordo de Cooperação e Associação Estratégica e 12 convênios, e deixou pré-combinado um TLC.

A cúpula teve como convidado o presidente da Colômbia, Álvaro Uribe, que assinou em Lima um TLC com o Canadá e um acordo para a promoção de investimentos com a China, e recebeu importantes apoios para que seu país seja aceito como membro assim que se finalizar, em 2010, uma suspensão na admissão de quaisquer novos integrantes.

Os Estados Unidos, por sua parte, aproveitaram a reunião para impulsionar as negociações de seis países pela desnuclearização da Coréia do Norte e distender suas relações com a Rússia.

Os presidentes George W. Bush e Dmitri Medvedev tiveram sua primeira reunião bilateral desde que a invasão russa à Geórgia e a ameaça de posicionar foguetes em um enclave báltico, diante da possibilidade de os EUA instalarem um escudo antimísseis no leste europeu, azedaram as relações entre os dois países.

Com o mesmo fim conciliador, reuniram-se o presidente da China, Hu Jintao, e um representante de alto escalão de Taiwan, e, também, o primeiro-ministro do Japão, Taro Aso, com Medvedev.

Os membros de Apec são Austrália, Brunei, Canadá, Chile, China, Coréia do Sul, Estados Unidos, Filipinas, Hong Kong, Indonésia, Japão, Malásia, México, Nova Zelândia, Papua Nova Guiné, Peru, Rússia, Cingapura, Tailândia, Taiwan e Vietnã. EFE ar/jp

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