Cúpula de segurança acerta 75 compromissos para frear delinqüência no México

México, 21 ago (EFE).- O presidente do México, Felipe Calderón, os governadores de 32 estados do país, o Congresso, o Poder Judiciário e representantes sociais aprovaram hoje por unanimidade em uma inédita reunião um acordo nacional de 75 compromissos para combater a delinqüência organizada.

EFE |

O "Acordo Nacional pela Segurança, Justiça e Legalidade" inclui compromissos como a depuração das polícias e dos órgãos de justiça, a criação de penitenciárias de alta segurança, o acompanhamento da despesa em matéria de segurança, o registro de telefones celulares e a promoção da cultura da legalidade.

O encontro de três horas das autoridades, realizado no Palácio Nacional, reuniu pela primeira vez na história do Conselho Nacional de Segurança Pública, criado em 1995, todos os integrantes deste órgão, convocados por causa da indignação social perante a onda de violência que castiga o país.

Este ano, de acordo com anúncios extra-oficiais, o crime organizado tirou a vida de 2.774 pessoas, setenta e quatro a mais do que as reportadas em todo o ano de 2007.

O presidente mexicano admitiu que a delinqüência e o crime organizado cresceram graças aos anos de descuido e corrupção de diversas autoridades.

"Um câncer que foi ignorado por muitos anos, mas que agora ameaça o bem-estar das famílias e desafia a convivência pacífica dos mexicanos", ressaltou o líder.

O estopim desta reunião foi o seqüestro e morte do adolescente Fernando Martí, cujo corpo abandonado na capital mexicana foi encontrado no final de julho.

O empresário Alejandro Martí, pai do jovem assassinado, participou desta reunião do conselho onde pediu que as autoridades se comprometam a cumprir este pacto.

"Se as autoridades acreditam que não vão cumprir o pacto devem renunciar, pois não devem continuar recebendo um salário à toa, isso também é corrupção", disse Martí.

O prefeito da capital mexicana, o esquerdista Marcelo Ebrard, aceitou publicamente o desafio lançado por Martí.

Os 75 pontos estipulados comprometem todos os órgãos de Governo, desde o Executivo federal até os de prefeitos, o Poder Judiciário, o Congresso, as empresas, os meios de comunicação e as organizações civis e religiosas.

Nele se estabelecem prazos de execução que vão de um par de meses a três anos.

Os pontos de maior destaque são a depuração das polícias e instituições de justiça, a criação de um modelo nacional de avaliação e controle de confiança.

Além disso, a criação de unidades estatais de combate ao seqüestro, fortalecimento da estratégia contra a lavagem de dinheiro e das redes de atendimento a vítimas de delitos do crime organizado assim como os centros de atenção a pessoas com dependências.

Também a criação de uma base de dados de telefonia celular e fixa, reforço do sistema de denúncia contra a corrupção.

Além disso, a ampliação da infra-estrutura tecnológica para melhorar a comunicação entre instituições que combatem o crime organizado, e promoção de campanhas de fomento da cultura da legalidade.

O pacto inclui o fortalecimento de espaços públicos, em particular o resgate de mil terrenos abandonados em regiões das cidades com maior índice delitivo.

Também foi proposto um observatório cidadão plural que vigie os compromissos das autoridades, regulamentando que se impeça a libertação antecipada de delinqüentes que tenham cometido seqüestro.

O Poder Judiciário se comprometeu a criar novos juizados e tribunais federais, agilizar os processos penais e acelerar os pedidos das autoridades para que os juízes outorguem ordens de busca e detenção preventiva.

No Conselho se reconheceu que a sociedade mexicana se sente agravada pela impunidade, corrupção e ambiente de insegurança, assim como que a delinqüência se infiltrou em Policiais e órgãos de segurança.

Fora do Palácio Nacional se concentraram cerca de 300 jovens liderados pelo porta-voz do esquerdista Partido da Revolução Democrática (PRD) Gerardo Fernández, que protestaram contra Calderón, a quem consideram um governante ilegítimo, enfrentando agentes policiais que guardavam a reunião. EFE jrm-ea/ma

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