Cúpula de não-alinhados quer fortalecer voz de países do sul

Jorge Fuentelsaz. Sharm el-Sheikh (Egito), 13 jul (EFE).- Os ministros de Exteriores do Movimento de Países Não-Alinhados (NOAL, na sigla em inglês) deram início hoje, em Sharm el-Sheikh, no Egito, aos preparativos da cúpula de chefes de Estado, prevista para os dias 15 e 16 de julho, com o objetivo de fortalecer a voz dos países do sul.

EFE |

Na cerimônia de abertura de uma reunião de dois dias, Bruno Eduardo Parrilla, ministro de Exteriores de Cuba, país que passará a Presidência para o Egito, ressaltou que o NOAL é "a base dos interesses comuns dos povos do sul".

O chanceler cubano criticou "a existência de um injusto e depredador sistema internacional que agora transfere o maior impacto e a crise global para os países do sul".

Além disso, lembrou a intromissão das grandes potências, assim como as guerras iniciadas por elas que, segundo ele, têm o objetivo de "impor modelos políticos e dominar os recursos naturais de nossos povos".

Contra "uma ordem internacional que se baseia no uso da força, da tecnologia e do poder econômico contra os mais fracos", Parilla propôs a redistribuição da riqueza ou a democratização dos organismos internacionais para favorecer o multilateralismo.

O NOAL, que atualmente é integrado por 121 nações em desenvolvimento, foi criado em Belgrado, capital da Sérvia, em 1961, como resposta à situação política internacional da época, dominada pela Guerra Fria.

O ministro de Exteriores egípcio, Ahmed Aboul Gheit, em um discurso depois do de seu colega cubano, insistiu que os princípios que deram origem ao NOAL continuam vigentes.

"Os princípios básicos pelos quais o movimento foi fundado continuam sendo válidos hoje (...) e permanecerão conosco guardando os interesses das nações do Sul", disse Aboul Gheit.

O ministro egípcio resumiu estes princípios no "respeito à soberania e à integridade territorial de todos os estados, sem importar com sua força ou capacidade de se defender".

Reunidos na turística cidade egípcia de Sharm el-Sheikh, na sala de conferências de um hotel, em meio aos gritos dos turistas ocidentais que estavam na piscina, os líderes se mostraram de acordo sobre os principais desafios enfrentados.

A crise econômica, a divisão da riqueza, a proteção do meio ambiente e dos recursos energéticos são temas para cuja solução o NOAL propõe o desenvolvimento de uma política multilateral longe da hegemonia de poucas potências.

Embora estes sejam os assuntos mais preocupantes para os participantes, outras questões farão parte das mais de 100 páginas do documento final da XV cúpula do NOAL, como os recentes acontecimentos em Honduras.

A minuta, que começou a ser discutida hoje pelos ministros nas reuniões prévias, condena "o golpe de Estado" do dia 28 de junho, contra o até então presidente de Honduras, José Manuel Zelaya.

Neste sentido, o Paraguai, que participa como observador, ressaltou a importância do peso deste fórum, por representar mais da metade da população do planeta.

Alejandro Hamed Franco, assessor de Assuntos Internacionais do presidente do Paraguai, Fernando Lugo, disse à Agência Efe que a questão de Honduras "é um tema preocupante".

"É preocupante, porque muitas das democracias da América Latina são muito jovens ainda. Essas democracias não amadureceram suficientemente para poder se consolidar e sair de atoleiros deste tipo", disse Hamed Franco, que apontou a necessidade de "buscar uma saída legal, justa e rápida" para a questão.

A condenação do bloqueio econômico americano contra Cuba, a questão palestina e as disputas de fronteira entre a Eritréia e o Djibuti são outras das dezenas de assuntos que serão incluídos no documento.

Paralelamente a estas discussões, encontros bilaterais serão realizados, como o dos ministros de Exteriores do Irã, Manouchehr Mottaki, e o do Egito, cujos países atravessam uma nova crise diplomática devido a suas políticas sobre o conflito árabe-israelense.

Outras reuniões foram descartadas como entre os chanceleres do Peru e da Bolívia, enquanto outras são esperadas, como a dos ministros de Exteriores de Índia e do Paquistão, que não se reúnem desde o atentado terrorista em novembro de 2008, em Mumbai. EFE jfu/pd

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