A cúpula internacional sobre o conflito no leste da República Democrática do Congo (RDC) exigiu nesta sexta-feira, em Nairóbi, um cessar-fogo imediato dos grupos armados na província de Kivu e a abertura de um corredor humanitário, frente a uma crise que faz pairar o espectro de uma nova tragédia humana na região.

Em sua declaração final, os participantes da cúpula, entre os quais o presidente da RDC, Joseph Kabila, e do Ruanda, Paul Kagame, conclamaram "todas as milícias e grupos armados" a respeitarem "um cessar-fogo imediato", e decidiram "a instalação de um corredor humanitário para responder à tragédia humanitária".

Eles também exigiram a aplicação "imediata" dos acordos existentes sobre o desarmamento dos grupos armados.

Entretanto, a aplicação das exigências formuladas durante a cúpula dependem da boa vontade dos grupos armados de Kivu, que não participaram da cúpula de Nairóbi. Os rebeldes comandados por Laurent Nkunda, a principal ameaça à segurança naquela área, confirmaram sua posição nos últimos dias afirmando que a cúpula foi "mais uma reunião que não serviu para nada".

"Esta cúpula toma medidas com atraso", ironizou o porta-voz dos rebeldes, Bertrand Bisimwa.

"Já decretamos um cessar-fogo (unilateral, no dia 29 de outubro), e também já decidimos criar corredores humanitários (no dia 30 de outubro). Espero que esta mensagem era dirigida ao governo", declarou Bisimwa à AFP.

O conflito na província de Kivu Norte ameaça agora a região com um novo desastre humanitário, advertiu durante os debates o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, insistindo em que "não pode haver solução militar".

"A comunidade internacional não pode permitir isso", declarou o sul-coreano.

Ban Ki-moon também defendeu a Missão da ONU na RDC (Monuc), acusada nesta sexta-feira por Kinshasa de não ter feito nada para impedir "massacres" perpetrados, segundo o presidente Kabila, pelos rebeldes em Kivu Norte, no leste do país.

O secretário-geral da ONU disse que "a capacidade da Monuc atingiu seus limites".

Os participantes da cúpula de Nairóbi pediram que a Monuc seja reforçada.

Uma equipe da Monuc foi a Kiwanja, 80 km ao norte de Goma, a capital de Kivu Norte, para ""verificar as informações sobre os massacres", frisou a ONU.

Quinta-feira, a organização de defesa dos direitos humanos Human Rights Watch (HRW) afirmou que rebeldes e milícias pró-governamentais mataram "deliberadamente" pelo menos 20 civis em Kiwanja, denunciando "crimes de guerra".

"É unicamente no âmbito político, aqui, em sua região, que soluções duradouras podem ser encontradas", disse Ban Ki-moon aos líderes africanos.

Kabila e Kagame não mantiveram nenhuma reunião bilateral em Nairóbi.

No terreno, novos combates entre o Exército e os rebeldes de Nkunda foram registrados nesta sexta-feira em Kibati, 15 km ao norte de Goma, segundo o porta-voz militar da Monuc, o tenente-coronel Jean-Paul Dietrich.

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