Cúpula de meio ambiente: líderes da UE avançam, apesar das diferenças

Os líderes da União Européia (UE) tentavam chegar, nesta quinta-feira à noite, a um acordo sobre a divisão de esforços para aprovar o plano europeu de combate ao aquecimento global, que deverá servir de modelo mundial, embora ainda seja necessário resolver as demandas de Alemanha e Hungria.

AFP |

"Nós nos dirigimos para um compromisso", disse à imprensa o chefe de Governo italiano, Silvio Berlusconi, após uma primeira discussão dos 27 países-membros do bloco, com base nas últimas propostas da presidência francesa.

A Polônia, outro país que apresentava obstáculos, também estava satisfeita com as últimas propostas da França e "alcançou todos seus objetivos", revelou agora à noite uma fonte do governo polonês.

Para conseguir esse acordo, é necessário satisfazer, além de Itália e Polônia, as reivindicações de Alemanha e Hungria.

No início dessa cúpula de dois dias, o presidente da França, Nicolas Sarkozy, pediu aos sócios que se mostrassem "unidos" nas difíceis negociações sobre mudança climática, indicando que "a Europa não pode dar o espetáculo da divisão".

"A Europa deve estar unida. Quando está unida, vê suas idéias avançarem e pode impor seus valores", defendeu.

Para Sarkozy, o desafio de encerramento de seu mandato à frente do bloco era convencer a chanceler alemã, Angela Merkel, e o premier italiano da necessidade de uma liderança européia na questão ambiental. Nos últimos dias, ambos ameaçaram vetar decisões da cúpula.

Em março de 2007, justamente sob a presidência rotativa alemã, a UE estabeleceu um triplo objetivo para 2020: reduzir em 20% suas emissões de gases causadores do efeito estufa, em relação aos níveis de 1990; e aumentar para 20% a cota de energias renováveis em seu consumo, o qual deve, ao mesmo tempo, reduzir-se em 20%.

Esse ambicioso acordo promovido por Merkel parece agora muito distante para alguns e, diante das preocupações de vários países com o futuro de seus setores produtivos, a presidência francesa da UE incluiu várias derrogações para tentar chegar a um compromisso.

Alemanha e Itália queriam obter o maior número possível de isenções estabelecidas pelo plano europeu para que os empresários paguem suas emissões de dióxido de carbono (CO2) a partir de 2013.

Já os países do Leste pretendiam conseguir o reconhecimento de sua grande dependência de carbono, na hora que lhes fossem exigidos esforços na redução de suas emissões, além da manutenção do princípio de solidariedade para que os Estados-membros mais pobres possam se somar à "Revolução Verde".

Ainda que as negociações pareçam "difíceis", a chanceler Merkel se mostrou mais otimista para chegar a um acordo - desde que se garanta que não haverá perda de empregos na indústria.

mar/tt/LR

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