Cúpula de Lima termina com alguns negócios e boas intenções políticas

A Cúpula América Latina e Caribe-União Européia terminou com uma série de propósitos de boas intenções em temas sociais e ambientais e, como epílogo, com um impulso nas negociações econômicas com andinos, Mercosul e centro-americanos, que se mostraram difíceis nos últimos meses.

AFP |

As tensões internas da América Latina não geraram grandes convulsões em uma Cúpula realizada com grande correção política, mas as diferenças de enfoque entre seus países de economias liberais e os da esquerda radical mostraram as dificuldades para se conseguir acordos, frente a uma Europa que chegou com propostas unificadas.

O exemplo mais claro dessas divisões foi visto neste sábado na negociação para um acordo de associação entre a UE e a Comunidade Andina de Nações (CAN). Os europeus insistiram em uma negociação bloco a bloco, mas diante das nítidas diferenças entre seus membros decidiram avançar com Colômbia e Peru - mais decididos a chegar a um TLC - frente a Equador e Bolívia, mais protecionistas.

Ainda assim, Mercosul e UE reiteraram sua intenção de fechar um acordo comercial "ambicioso e equilibrado", mas não conseguiram fazer avançar um milímetro sequer em suas discussões.

Presidentes e ministros dos quatro países do Mercosul (Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai) se reuniram com os europeus em um encontro mais voltado para manter uma certa dinâmica política. A Europa também se reuniu com os centro-americanos.

Em meio a essas discussões, o boliviano Evo Morales reclamou do que chamou de lógica de livre comércio, queixando-se também de que nenhum dos cinco presidentes da esquerda radical conseguiu falar no encerramento da reunião presidencial.

Morales defendeu suas idéias em uma Cúpula, na qual a maioria dos chefes de Estado passou discretamente. Até mesmo o midiático Hugo Chávez.

"O low profile de Chávez surpreendeu todos. Não quis se arriscar a um isolamento em um contexto difícil para ele", disse à AFP o cientista político peruano Aldo Panfichi.

Chávez aproveitou para solucionar problemas diplomáticos com Espanha e Alemanha, embora tenha aprofundado sua disputa com seu homólogo colombiano, Alvaro Uribe, que também foi atacado pelo equatoriano Rafael Correa.

Na parte política, a Cúpula administrou temas delicados, como os biocombustíveis e a segurança alimentar. O debate foi "intenso", disse o premier holandês, Jan Peter Balkenende, explicando que os presidentes discutiram a possibilidade de adotar normas que garantam que os biocombustíveis não vão pôr em risco nem o abastecimento dos alimentos, nem a floresta.

A pobreza também foi tratada na Cúpula, com a Europa expressando sua preocupação com essa América Latina que exibe os maiores índices de desigualdade no mundo, o que se agravaria com a crise alimentar.

jlv/tt

    Leia tudo sobre: iG

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG