Cúpula das Américas termina sem acordo mas abre nova era com EUA

A V Cúpula das Américas, concluída neste domingo, abriu a esperança de uma nova era nas relações com os Estados Unidos, mas o embargo de Washington a Cuba impediu uma declaração final unânime.

AFP |

"A declaração em si não tem a completa aprovação dos 34 países presentes. Alguns deles manifestaram suas reservas", declarou o primeiro-ministro de Trinidad e Tobago, Patrick Manning, no encerramento da reunião continental.

"O documento que emerge é um documento de compromisso, que recebeu a aprovação de alguns e a desaprovação de outros. Concordamos em adotar este documento, já que ao adotá-lo, reconhecemos que não há unanimidade e sim um grande consenso sobre estas questões importantes", completou Manning.

A Cúpula foi o primeiro encontro do presidente Obama com os colegas latino-americanos e caribenhos.

Para todos, o encontro continental pode marcar o início de uma nova era, depois de anos de falta de comunicação ou relações ruins com os Estados Unidos.

"Nunca havíamos assistido a uma cúpula com um nível de interação, franqueza e cordialidade que se sentiu em Trinidad e Tobago. Creio que estão estabelecidas as bases para relançar uma nova etapa nas relações hemisféricas", declarou o presidente mexicano Felipe Calderón.

O chefe de Governo do país anfitrião foi o responsável de assinar o documento final com o mandato de todos os líderes presentes, que não chegaram a um acordo sobre todos os pontos, mas quiseram mostrar um consenso, fruto do ambiente construtivo e cordial durante o encontro.

"O documento teve o consenso independentemente do matiz de que não foi unânime em todo o seu conteúdo", explicou Calderón.

Entre os argumentos para a não aprovação unânime do documento estão a questão do embargo a Cuba, a escassa presença no documento da crise econômica mundial e até mesmo discussões sobre quais países são democráticos e quais não são.

Países como Bolívia e Venezuela, integrantes da Alternativa Bolivariana das Américas (Alba), já haviam anunciado que não assinariam a declaração final, entre outros motivos por solidariedade a Cuba, que não é mencionada no texto, está excluída da Organização dos Estados Americanos (OEA) e submetida a um embargo americano desde 1962.

"Apesar de existirem pontos divergentes, o espírito foi construtivo e de respeito. A cúpula abriu um novo capítulo nas relações hemisféricas", declarou o presidente do Panamá, Martín Torrijos.

Obama se reuniu separadamente em Trinidad com os líderes sul-americanos, centro-americanos e caribenhos.

A todos garantiu a disposição de ter um diálogo direto baseado no respeito mútuo.

Além da segurança energética e da prosperidade, temas incluídos na agenda do encontro, as questões que realmente centraram o evento foram Cuba e a crise econômica.

Obama chegou a Port of Spain com o discurso de que está disposto ter um novo começo com Cuba e admitiu neste domingo que meio século de políticas americanas sobre Cuba "não funcionaram", mas destacou que a política americana em relação à Havana não mudará da noite para o dia.

"Temas como os dos prisioneiros políticos, liberdade de expressão e democracia são importantes, e não podem ser deixados de lado", explicou o presidente americano, dando a entender que espera ações de Havana neste sentido.

Ele também declarou que Cuba e Venezuela, assim como os Estados Unidos, devem mostrar "não simples palavras, mas também fatos" se desejam melhorar as relações.

O encontro cordial entre Obama e o venezuelano Hugo Chávez, um dos críticos mais ferrenhos dos Estados Unidos, foi uma das surpresas em Trinidad.

Os dois apertaram as mãos e Chávez deu de presente a Obama o livro "As veias abertas da América Latina", do uruguaio Eduardo Galeano.

O primeiro passo para o que pode ser o restabelecimento das relações entre Estados Unidos e Venezuela será a nomeação de novos embaixadores em Caracas e Washington, depois das expulsões decretadas em setembro.

bl/fp/nh

    Leia tudo sobre: iG

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG