Cúpula das Américas consolida nova era de EUA e A.Latina

Esther Rebollo. Port of Spain, 19 abr (EFE).- A 5ª Cúpula das Américas evidenciou o acordo para iniciar uma nova era nas relações entre América Latina e Estados Unidos, apesar de a declaração final não ter alcançado a unanimidade dos 34 líderes participantes.

EFE |

A reunião terminou sendo considerada "histórica" porque marcou um ponto de inflexão nas relações entre Estados Unidos e América Latina, devido à postura adotada pelo presidente americano, Barack Obama, em Trinidad e Tobago.

Ao fim da cúpula, o presidente do México, Felipe Calderón, esclareceu que a declaração foi aprovada por consenso, e não por unanimidade, mas destacou que o mais importante foi o espírito de franqueza.

"Nunca tínhamos assistido a uma cúpula com tal nível de franqueza e cordialidade. Existe uma convicção geral de que foram assentadas as bases para relançar uma nova etapa, com mais cooperação e entendimento recíproco", ressaltou.

Após qualificar a cúpula de "histórica", pelo "ânimo, o espírito construtivo, o diálogo, a visão de entendimento e pela compreensão comum", Calderón previu "melhores dias para o continente americano", após uma história "marcada por divergências".

Todos os líderes, incluindo os maiores críticos ao ex-líder americano George W. Bush, coincidiram em confirmar essa impressão.

Antes de participar da reunião, os integrantes da Alternativa Bolivariana para as Américas (Alba), Venezuela, Cuba, Bolívia, Nicarágua, Dominica e Honduras, tinham anunciado que não assinariam a declaração final, em protesto contra a ausência de Cuba e por não concordarem com as recomendações para enfrentar a crise econômica.

O presidente hondurenho, Manuel Zelaya, também minimizou o fato de não ter sido alcançada uma unanimidade entre todos os líderes, e disse que a "assinatura não é exatamente o mais importante, mas o diálogo que se estabelece".

Zelaya e os presidentes de El Salvador, Elías Antonio Saca, e Guatemala, Álvaro Colom, ressaltaram que o governante americano se mostrou disposto a analisar uma reforma migratória, como os líderes pediram durante a reunião mantida hoje entre Obama e os colegas da América Central.

O nicaraguense Daniel Ortega foi o mais crítico e manteve suas reservas, mas aliviou o tom e reconheceu que Obama "é o presidente de um império que tem suas regras, ele não pode mudá-las".

Venezuela, Brasil, Bolívia e Nicarágua foram alguns dos países que expressaram reservas à declaração por motivos relacionados com a crise financeira e políticas energéticas, mas sobretudo porque Cuba não faz parte da Organização dos Estados Americanos (OEA).

Os temas-chave da discussão durante a cúpula foram a necessidade de capitalizar o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), enfrentar a crise global com outras ferramentas e ver a forma de fazer Cuba retornar à OEA, assim como melhorar a situação no Haiti, disse o primeiro-ministro de Trinidad e Tobago, Patrick Manning.

Calderón esclareceu que foram tomadas "medidas dirigidas a enfrentar desafios causados pela crise econômica, pela mudança climática, pela cooperação energética e pelo desenvolvimento, interação em matéria de segurança pública e governabilidade".

"O bem-estar social é a máxima prioridade de todos", afirmou o presidente mexicano.

Em relação à segurança, Calderón disse que todos os líderes coincidiram "na problemática do crime organizado" e decidiram "enfrentá-lo de forma comum" através de uma estratégia internacional.

Por último, todos os chefes de Estado e de Governo presentes defenderam uma rápida capitalização do BID para "garantir o acesso ao crédito" em tempos de crise. EFE erm/db

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