SIRTE - A 13ª cúpula da União Africana (UA) começou nesta quarta-feira em Sirte, na Líbia, com diversos conflitos no continente sobre a mesa, e também com a proposta do líder líbio, Muammar Kadafi, para conferir mais poder à Comissão da organização, como passo para a criação de um governo continental.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva participa hoje como orador convidado na sessão inaugural , na primeira vez que um chefe de Estado do país latino-americano assiste a uma cúpula africana.

Kadafi inaugurou oficialmente a cúpula às 10h40 (6h40 de Brasília) e pediu um minuto de silêncio pelas vítimas do acidente aéreo em Comores, assim como pelas mortes do presidente do Gabão, Omar Bongo, e do chefe de Estado de Guiné-Bissau, João Bernardo Nino Vieira, assassinado em março.

Governo continental

O tema oficial da cúpula é o desenvolvimento da agricultura como via para garantir a segurança alimentar, mas o líder líbio está há anos tentando impulsionar seu projeto de criar os Estados Unidos da África, uma ideia à qual se opõem vários membros de peso da UA.

Na última cúpula em Adis-Abeba, em janeiro, foi decidido transformar, após um longo debate, a comissão da UA na "Autoridade Africana" e conferir mais poderes, mas a composição e as faculdades desse órgão ainda estão em discussão e deverão ser concretizadas em Sirte.

Um documento examinado em dias anteriores à cúpula pelo Comitê Executivo da UA prevê uma "Autoridade Africana" formada por um presidente, um vice-presidente e oito secretários sem prerrogativas supranacionais.

A Líbia propôs aumentar para 12 os membros desse órgão e colocar dois coordenadores da política externa e industrial do continente, assim como faculdades para que possa representar os Estados-membros sem necessidade de um mandato específico.

Kadafi já advertiu, às vésperas da reunião, que "quem se negar" a acelerar a integração continental "deverá explicar por que faz isso", e propôs o recurso a uma votação na qual, "se dois terços dos membros" se mostrarem de acordo, os outros "deverão respeitar a decisão da maioria".

Os países do sul e do leste do continente, especialmente a África do Sul e o Egito, e outros como a Argélia, mostraram suas reservas às propostas do líder líbio.

Outros assuntos da cúpula

A cúpula, que terminará na sexta-feira, abordará também vários conflitos abertos no continente, como o da Somália - cujo governo pediu aos países vizinhos ajuda militar perante o avanço das milícias islâmicas - o do Sudão ou a situação na Mauritânia, Madagascar, Guiné-Bissau e Níger.

Em declarações em sua chegada a Trípoli, Lula destacou na terça-feira o "enorme potencial" de cooperação do Brasil com a Líbia e com os outros países do continente.

O presidente lembrou o grande aumento da troca comercial entre o Brasil e os países africanos nos últimos seis anos, e disse que a América Latina e a África podem fazer uma política menos protecionista que a que fazem os países ricos com os pobres.

"Temos muitos problemas semelhantes e nossa aproximação vai a permitir que possamos explorar melhor as possibilidades de cada país e, portanto, aumentar a possibilidade de fazer negócios entre nós, em um comércio mais justo, sem o protecionismo imposto pelos países ricos aos produtos dos países pobres", afirmou.

Também estava previsto a presença na cúpula, como convidado, do presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, mas sua participação foi por fim cancelada, informaram hoje fontes iranianas.

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