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Cúpula da UE tenta evitar paralisia após não irlandês ao Tratado de Lisboa

Os líderes da União Européia (UE) abrem quinta-feira em Bruxelas uma reunião de cúpula de crise após o não irlandês ao Tratado de Lisboa, na qual tentarão evitar uma nova paralisia institucional e reafirmar a sobrevivência do texto, à espera de um sopro de vida nesta quarta-feira com sua ratificação no Reino Unido.

AFP |

A cúpula estará centrada também na questão do aumento dos preços do petróleo e dos alimentos que provocou protestos em toda a Europa, e deverá discutir o fim ou não das sanções da UE contra Cuba, durante um jantar de chanceleres na quinta-feira à noite.

O "não" (53,6% dos votos) dos irlandeses ao novo tratado europeu no referendo de quinta-feira passada parece prejudicar a ação da cúpula de junho de 2005, realizada dias depois da rejeição de franceses e holandeses à Constituição.

No entanto, os fantasmas despertados pelo referendo negativo na Irlanda não são, a princípio, tão grandes.

"O 'não' da Irlanda ao Tratado de Lisboa não deve significar que a Europa tem que entrar na paralisia", disse nesta quarta-feira o presidente da Comissão Européia, José Manuel Durão Barroso, ao marcar o tom da discussão na sessão plenária do Europarlamento em Estrasburgo (leste da França).

O primeiro-ministro esloveno Janez Jansa, cujo país exerce a presidência da UE, assegurou que a Europa "não deixa" de funcionar, apesar da "decepção" irlandesa, embora tenha advertido que não haverá uma solução milagrosa durante esta reunião de dois dias.

O primeiro-ministro irlandês Brian Cowen deverá fazer no jantar de quinta-feira uma primeira análise do "não" de seu país diante dos chanceleres europeus. Estes poderão estabelecer uma data para discutir possíveis soluções para a crise, talvez em sua próxima reunião de outubro.

Como ninguém fez referência a nenhum plano em particular, a esperança é que os irlandeses voltem a votar o texto, talvez no primeiro semestre de 2009, como já ocorreu com o Tratado de Nice, que foi rejeitado pelos irlandeses em 2001 antes de ser aprovado com algumas modificações em 2002.

Para isso, tal como anteciparam os chanceleres da UE em sua reunião de segunda-feira, a intenção é dar tempo à Irlanda e seguir adiante com o processo de ratificação nos oito países que ainda não cumpriram o trâmite.

A possível ratificação do tratado nesta quarta-feira pela Câmara dos Lordes no Reino Unido representaria um sopro de vida e marcaria um ponto de mudança em relação ao destino da malsucedida Constituição rejeitada por franceses e holandeses em 2005.

Naquele momento, o Reino Unido e outros países haviam suspendido imediatamente seu processo de ratificação, enterrando qualquer esperança de sobrevivência do Tratado Constitucional, que também requeria a aprovação dos 27 membros do bloco.

Com a intenção de mostrar que o debate institucional não monopolizará tudo, os líderes da UE querem dedicar boa parte da reunião à maior preocupação dos cidadãos hoje em dia: o aumento dos preços do petróleo e dos alimentos.

Segundo um projeto de conclusões da reunião obtido pela AFP, os membros do bloco se pronunciarão sexta-feira a favor de medidas de "curto prazo" para os mais afetados pela alta dos combustíveis e pela inflação, embora rejeitem iniciativas fiscais mais gerais.

Por fim, os chanceleres europeus devem decidir a possível retirada das sanções impostas a Cuba em 2003 e atualmente suspensas.

mar/dm/fp

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