Cúpula da UE deve ratificar medidas da eurozona contra a crise

Bruxelas, 15 out (EFE).- Os chefes de Estado e de Governo da União Européia (UE) começaram hoje uma cúpula de dois dias onde devem apoiar as medidas estipuladas pelos países da zona do euro contra a crise de crédito e realizar uma primeira reflexão sobre a reforma do sistema financeiro internacional.

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Os 27 países do bloco - membros e não-membros do Eurogrupo - tentam se manter unidos na resposta à crise, enquanto cresce o temor de que as turbulências afundem o continente na recessão.

Apesar de todos os membros aceitarem as medidas de resgate como algo necessário, a injeção sem precedentes de dinheiro público - quase 2 trilhões de euros - em apoio a apenas um setor econômico coloca a prova as regras básicas de funcionamento do Mercado Comum.

A Polônia, por exemplo, se sente discriminada porque a UE não duvidou em proibir o salvamento de seus históricos estaleiros, enquanto aceita, quase sem discussão, multimilionárias ajudas para ressuscitar os quebrados bancos ocidentais mal administrados.

Em geral, os novos Estados-membros do centro e do leste europeus vindos do comunismo têm receios quanto à intervenção pública e temem que a crise acabe introduzindo dois pesos e duas medidas na aplicação das normas de livre concorrência e ajudas de Estado, proibidas a princípio pelo tratado.

Antes do começo da cúpula, o primeiro-ministro do Reino Unido, Gordon Brown, que inspirou o pacote de medidas do Eurogrupo embora seu país não esteja entre as nações que adotaram o euro, pediu aos 27 membros da UE não se prendam a uma reação imediata e trabalhem por uma reforma profunda do sistema financeiro mundial.

Ao lado do presidente da Comissão Européia, José Manuel Durão Barroso, o premier britânico mostrou sua satisfação com o fato de os europeus terem sido capazes de pactuar uma resposta coordenada, mas ressaltou que a Europa tem de estar à frente e liderar a mudança nas regras em todo o mundo.

Em entrevista coletiva, o presidente do Eurogrupo e primeiro-ministro luxemburguês, Jean-Claude Juncker, pediu prudência, pois os "tempos perigosos" permanecem.

"Não acho que precisamos de mais medidas. Do que necessitamos é a aplicação das medidas tomadas", afirmou.

Juncker defendeu extensão a toda a UE do plano de ação estipulado no último domingo, que consiste em injetar capital nos bancos em dificuldades e garantias públicas para restabelecer o financiamento interbancário.

Os 27 países devem tomar nesta cúpula outras iniciativas, como a criação de um sistema de alarme antecipado contra as crises e o estabelecimento de um verdadeiro mecanismo de supervisão bancária em escala européia, o que é considerado tabu até agora.

O ministro de Finanças belga, Didier Reynders, foi o mais claro, ao sugerir "uma organização de controle pan-européia".

Seria possível começar, segundo ele, por "uma reunião regular dos responsáveis nacionais de supervisão" como já ocorre no marco do Sistema Europeu de Bancos Centrais.

O presidente da CE também exige um "nível de coordenação sem precedentes" diante de uma "situação sem precedentes".

Para Barroso, já se conseguiu uma coordenação "impensável" há algumas semanas, quando "alguns Governos ainda resistiam a qualquer tipo de resposta comum".

Mesmo assim, advertiu ele, "ainda falta um longo caminho" no qual a UE deve ter claros seus objetivos, e todos os Estados-membros devem ser capazes de dar "os sinais adequados".

"Acho que agora há uma autêntica consciência da necessidade de uma resposta européia e global", disse o presidente da CE.

A crise confirmou o extraordinário efeito estabilizador do euro.

"Quando o tempo é bom, não importa muito ter uma moeda própria, mas quando há um mau fora, é melhor estar dentro" (do euro), confessou o primeiro-ministro sueco, Fredrik Reinfeldt.

A Suécia rejeitou em plebiscito no ano 2003 o ingresso do país na união econômica e monetária, da qual hoje fazem parte 15 dos 27 Estados da UE. EFE jms/rb/jp

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