Cúpula da UA termina hoje com rejeição a golpes de Estado na África

Adis-Abeba, 3 fev (EFE).- A 12ª Cúpula da União Africana (UA), que termina hoje em Adis-Abeba, mostrou seu apoio a Zimbábue, Sudão e Somália, e rejeitou os regimes golpistas e as tentativas de mudanças de Governo inconstitucionais no continente.

EFE |

Os governantes dos 53 Estados que formam a organização pan-africana discutem hoje, na segunda e última Sessão Ordinária da Assembleia da UA, o efeito que a crise econômica mundial pode ter sobre o continente, já que os reflexos podem influir na ajuda humanitária e no financiamento dos países ricos a muitos deles.

Antes, a cúpula expressou satisfação com o acordo entre o Governo zimbabuano do presidente Robert Mugabe e a oposição, liderada por Morgan Tsvangirai, para formar um Executivo de união nacional na próxima semana, e pediu o levantamento das sanções internacionais ao regime.

Em relação ao Sudão, o responsável da Comissão da UA, Jean Ping, disse que os líderes africanos apoiam o presidente Omar Hassan Ahmad al-Bashir para que seja suspendida uma possível ordem de detenção contra ele e seu eventual processamento pelo Tribunal Penal Internacional, por crimes de guerra e contra a humanidade em Darfur.

A UA e o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, que assiste à cúpula, exigiram novamente ao regime de Cartum e aos insurgentes contenção no uso da força em Darfur.

A União Africana recebeu bem o novo presidente da Somália, o fundamentalista islâmico moderado Sheikh Sharif Ahmed, que assegurou em Adis-Abeba que quer formar um Governo de união nacional para conseguir a reconciliação do país, obter ajuda humanitária e preparar eleições gerais antes de dois anos.

Sobre o conflito da República Democrática do Congo (RDC), Ping, presidente do conselho da organização pan-africana, expressou a satisfação da UA com a detenção do líder rebelde tutsi congolês Laurent Nkunda, e manifestou esperança em que seja um passo decisivo para o fim da violência no país.

Ping, apesar disso, rejeitou a volta dos golpes de Estado à África, onde no ano passado foram impostos regimes na Mauritânia e na Guiné Conacri, enquanto houve tentativas na Guiné-Bissau.

Também advertiu à oposição de Madagascar, que pretende impor uma mudança de regime, de que não aceitará sistemas não constitucionais em seu seio.

Quanto ao conflito do Saara Ocidental, Ban disse em Adis-Abeba que as negociações entre a Frente Polisário e Marrocos serão retomadas "muito em breve", e destacou a "ampla e variada experiência" do novo enviado especial da ONU para este conflito, o americano Christopher Ross. EFE mc/db

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