Cúpula da Otan definirá seu futuro no Afeganistão

Os 26 países membros da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) se reúnem a partir desta quarta-feira para tentar superar as diferenças em relação ao futuro da missão militar no Afeganistão e à possível ampliação da aliança para países do leste europeu. Em um discurso na véspera da reunião de cúpula em Bucareste, na Romênia, o presidente dos Estados Unidos, George W.

BBC Brasil |

Bush, disse que pressionará seus parceiros para que enviem mais 10 mil soldados ao Afeganistão.

"Se aliviamos a pressão, os extremistas poderiam restabelecer seus feudos por todo o país e usá-los para aterrorizar o povo afegão e ameaçar nosso povo", afirmou.

O Afeganistão deverá dominar o encontro, a maior reunião já realizada pela Otan em toda sua história, e que contará com a presença de vários chefes de Estado, como Bush, os presidentes do Afeganistão, Hamid Karzai, do Banco Mundial, Robert Zoellick e da Comissão Européia, José Manuel Durão Barroso.

Afeganistão
Às vésperas de completar cinco anos no país, a missão da Otan conta hoje com um contingente de cerca de 47 mil soldados de 40 nacionalidades, dos quais 19 mil são americanos.

A França prometeu enviar um novo contingente de mil soldados, mas os demais aliados estão reticentes em assumir novos compromissos diante da impopularidade da missão militar no Afeganistão em seus países.

Fontes diplomáticas esperam um debate tenso também em torno do nível de cooperação de cada país.

O Canadá pedirá reforços para suas tropas que fazem a segurança da região de Kandahar, reduto Talebã no sudeste do país. Mas a Alemanha, por exemplo, já antecipou que não moverá seus homens do norte do país, onde as atividades são relativamente mais tranqüilas.

Ampliação
Outro tema que promete causar divisões na cúpula é a possível incorporação das ex-repúblicas soviéticas Ucrânia e Geórgia ao chamado "plano de ação" da aliança, uma fase prévia pela qual todos os novos integrantes devem passar antes de ser aceitos como membro pleno.

Alemanha, França e Itália se opõem, argumentando que na Ucrânia a opinião pública não é favorável, enquanto que na Geórgia persistem problemas delicados como os conflitos separatistas nas regiões de Abkázia e Ossétia do Sul.

No entanto, fontes diplomáticas afirmam que o verdadeiro motivo da oposição européia é a pressão aberta da Rússia, que mantém relações conturbadas com os dois países e é, ao mesmo tempo, um importante parceiro estratégico para a União Européia, já que é responsável por grande parte dos combustíveis consumidos pelo bloco.

Bush, por sua vez, defende que a Rússia, que não faz parte da Otan, não pode ter o poder de vetar nenhuma decisão importante para os aliados.

Frente às divisões internas e tendo em conta a presença do presidente russo, Vladimir Putin, no último dia da reunião, a expectativa é de que a declaração final da cúpula de Bucareste não inclua nada além de palavras de simpatia para Ucrânia e Geórgia, sem deixar claro uma aceitação ou desaprovação de seu ingresso.

Por outro lado, Croácia, Albânia e Macedônia deverão receber uma aprovação formal para seu ingresso à Otan.

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