Cúpula da Otan começa tensa, após apoio de Bush à adesão de Ucrânia e Geórgia

Alida Valea Bucareste, 1 abr (EFE).- A Cúpula da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) promete ser tensa, após o pleno apoio manifestado hoje pelo presidente americano, George W.

EFE |

Bush, à aproximação da Ucrânia e da Geórgia com a aliança militar, apesar da oposição da Rússia e do receio de alguns países europeus.

A cúpula, que será realizada em Bucareste, entre 2 e 4 de abril, tratará de temas cruciais para a Otan, como a adesão de três novos membros (Albânia, Croácia e Macedônia), as operações militares no Afeganistão e no Kosovo e as novas ameaças do século XXI.

São esperados 24 de chefes de Estado e de Governo, os ministros de Assuntos Exteriores dos 26 países-membros, várias centenas de funcionários - também de países associados -, além de convidados de organizações internacionais e cerca de 3 mil jornalistas.

Bush chegou hoje a Bucareste procedente da Ucrânia, onde reafirmou o "apoio incondicional" de Washington ao desejo das duas ex-repúblicas soviéticas de iniciarem o processo de adesão à Otan através do Plano de Ação para Adesão (MAP, na sigla em inglês).

O anfitrião da cúpula, o presidente Traian Basescu, que se reunirá amanhã em Constanza com Bush, não demorou a apoiar a postura de Washington.

"A Romênia apóia sem reservas a concessão pela Otan de planos de ação para o ingresso da Ucrânia e da Geórgia", disse Basescu, destacando, no entanto, que se trata de "algo muito difícil e controvertido, já que há muitos opositores, tanto na aliança quanto fora dela".

Diversos países da Otan, dentre os quais França e Alemanha, não querem iniciar o processo de adesão da Ucrânia e da Geórgia, por temerem azedar as relações com a Rússia, já tensas pelo plano dos Estados Unidos de instalar um escudo antimísseis na Europa.

Fontes romenas também mencionaram os receios de Itália, Espanha, Portugal, Holanda, Bélgica e Luxemburgo.

A possível concessão dos MAP à Ucrânia e à Geórgia, que acontecerá após o consenso entre os 26 Estados-membros, está incluída na agenda da cúpula, durante a qual também está prevista uma reunião com a Rússia, no dia 4, com a esperada participação do presidente russo, Vladimir Putin, ainda não confirmada.

Também estarão presentes à cúpula o secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon, e representantes do Conselho da Europa, do Banco Mundial, do Fundo Monetário Internacional (FMI) e de outras instituições internacionais.

As delegações oficiais começaram a chegar hoje à capital romena.

Uma das primeiras foi a da Macedônia, que ainda não sabe se o convite de adesão à aliança militar seguirá adiante, devido à ameaça de veto da Grécia até que a questão sobre o nome definitivo da ex-república iugoslava seja resolvida.

Também é esperada a chegada do secretário-geral da Otan, Jaap de Hoop Scheffer, após a aterrissagem dos aviões que traziam o primeiro-ministro canadense, Stephen Harper, e o presidente da Geórgia, Mikhail Saakashvili.

Para amanhã, é aguardada a chegada do presidente da França, Nicolas Sarkozy - que deve comunicar a volta desse país à estrutura militar da Aliança -; da chanceler alemã, Angela Merkel, e do presidente do Governo espanhol, José Luis Rodríguez Zapatero.

A cúpula será iniciada na noite desta quarta-feira, com uma reunião informal dos chefes de Estado e de Governo no Palácio Cotroceni, sede da Presidência romena, sobre a estratégia no Afeganistão.

Outros assuntos incluídos na agenda desta reunião de três dias são segurança energética, controle de armamentos e o escudo antimísseis que os EUA querem instalar na República Tcheca e na Polônia.

Também foi aberto hoje o Fórum Transatlântico, organizado pelo German Marshall Fund dos EUA, que reúne líderes políticos e importantes estrategistas internacionais para debater o estado, os futuros desafios e as estratégias da aliança militar.

Conforme a tradição, o presidente americano se dirigirá amanhã a essa conferência, que há anos é realizada paralelamente às cúpulas da Otan. EFE av/wr/gs

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