Cúpula da OIT busca medidas para sair de crise do emprego

Genebra, 15 jun (EFE).- Vários chefes de Estado e de Governo, assim como ministros do Trabalho, deram início hoje à cúpula da Organização Internacional do Trabalho (OIT) com o objetivo de buscar maneiras de superar a grave crise no mercado de trabalho, causada pela recessão econômica mundial.

EFE |

O Presidente Luiz Inácio Lula da Silva, seu colega da França, Nicolas Sarkozy e a da Argentina, Cristina Fernández de Kirchner, foram alguns dos líderes que discursaram hoje na cúpula da OIT, organismo que abrange Governos, sindicatos e empregadores e que completou 90 anos defendendo os direitos trabalhistas.

"A chamada de hoje é à liderança. O mundo não pode se dar o luxo de não voltar a criar empregos até vários anos depois da recuperação econômica", disse o diretor-geral da OIT, Juan Somavía, ao dar início à reunião.

A necessidade de "uma economia de mercado eficaz socialmente" e sem os excessos do passado que levaram à catastrófica situação atual no mundo foi defendida por Somavía como o elemento-chave, junto com o diálogo social em todos os níveis, para encurtar a crise do emprego.

A OIT indicou que a recuperação do emprego necessita de quatro ou cinco anos a mais que a recuperação do crescimento econômico, logo, se as medidas não forem adotadas, a crise do desemprego durará até oito anos.

Segundo as previsões da OIT, entre 39 e 59 milhões de pessoas perderão seus empregos este ano, chegando ao número de 239 milhões de desempregados no mundo.

Com a entrada de 45 milhões de jovens no mercado de trabalho por ano, seria necessário criar 300 milhões de empregos até 2015 para absorver este aumento.

Em seu discurso, o presidente Sarkozy defendeu o estabelecimento de uma nova ordem social mundial e que os erros do passado não sejam repetidos, aqueles de um "capitalismo que ficou louco por não ter nenhuma regra".

"A regulação da globalização é a questão crucial", afirmou Sarkozy, que acrescentou que tudo poderá continuar como antes quando a atual crise econômica e financeira for resolvida.

O presidente francês disse que "o mundo não pode ser guiado somente pela oferta e pela demanda, deixando de lado os princípios morais".

Nesta nova forma de Governo, segundo Sarkozy, a OIT deve ter o direito de dar a palavra final diante da Organização Mundial do Comércio (OMC), o Fundo Monetário Internacional (FMI) ou o Banco Mundial (BM), quando normas fundamentais estiverem em jogo.

Sarkozy pediu, além disso, ao G20 que respeite os compromissos assumidos para reformar o capitalismo financeiro, de modo se consiga "reconstruir um sistema financeiro que financie antes aos empreendedores que aos especuladores".

Cristina Kirchner, que discursou depois de Sarkozy, afirmou que a melhor estratégia para enfrentar a crise econômica mundial é "manter o vínculo laboral" dos trabalhadores e impedir sua demissão.

"Todo dirigente político deve impedir que o vínculo trabalhista seja rompido porque depois é muito difícil reconstruí-lo" e porque "cada trabalhador é também um consumidor", completou.

Cristina declarou que a estratégia global para enfrentar a crise deve ser baseada na defesa do trabalho e "por voltar a utilizar o crédito internacional em planos sólidos de infraestrutura".

Lula criticou as instituições financeiras internacionais que não têm receitas para superar a crise econômica mundial. Além disso, disse que considera essencial que o sistema que até o momento "priorizava a especulação acima da produção," seja modificado e que "permita os paísos fiscais atuarem com toda liberdade".

Sobre a crise do emprego, Lula disse que a previsão é de que, em 2009, mais de 50 milhões de pessoas fiquem desempregadas, o que pode aumentar a xenofobia.

Lula disse que "chegou o momento de elaborar novas propostas, que cada responsável político dê sugestões, que o G20 faça propostas concretas e que acredita em um amplo debate no marco da ONU para sair da crise".

Lula e Sarkozy conversaram durante um almoço hoje sobre como concretizar as decisões tomadas pelo G20 para sair da crise. EFE vh/pd

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