Cúpula da América Latina e do Caribe termina com reunião privada

COSTA DO SAUÍPE - A Cúpula da América Latina e do Caribe terminou nesta sexta-feira com uma sessão privada dos líderes que participaram durante dois dias de debates sobre a integração e o desenvolvimento.

Redação com agências internacionais |


Na cúpula, que começou ontem depois das reuniões do Mercado Comum do Sul (Mercosul), da União de Nações Sul-americanas (Unasul) e do Grupo do Rio, os governantes dos 33 países representados debateram em três sessões os principais problemas da região e suas possíveis soluções.

A reunião, em Costa do Sauípe, não teve uma sessão formal de encerramento, devido à já cheia agenda dos presidentes.

Depois da reunião privada, os líderes passaram a uma coletiva de imprensa, seguida de um almoço oferecido pelo anfitrião, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a seus convidados.

Equador

Em coletiva de imprensa após a Cúpula, o presidente equatoriano, Rafael Correa, acusou o Brasil de transformar em "diplomático" um problema que, segundo ele, é "comercial", em referência à decisão de Quito de levar a um tribunal internacional a questão sobre o crédito concedido pelo BNDES.

"Um problema comercial e financeiro se tornou diplomático", lamentou Correa ao expressar seu desejo de que o embaixador brasileiro Antonino Marques Porto "retorne em breve" a Quito, após ser chamado a consultas há quase um mês.

"Respeitamos, mas não concordamos com essa decisão" de chamar a consultas o embaixador, disse o líder equatoriano

O governo do Equador recorreu à justiça internacional na questão sobre um crédito de US$ 286,8 milhões contraído junto ao BNDES. O empréstimo foi concedido para as obras de uma represa construída no Equador pela empresa brasileira Odebrecht.

Ao defender essa decisão, Correa lembrou que recentemente a Petrobras também levou a uma arbitragem um internacional um problema com o Equador, embora depois tenha desistido graças a um acordo.

No entanto, Correa não confirmou se vai incluir o crédito do BNDES na dívida externa que o Equador está considerando não pagar por sua suposta ilegalidade.

Nessa mesma coletiva, o presidente do Paraguai, Fernando Lugo, destacou que em uma das mesas em que os dois países discutem reivindicações de Assunção sobre Itaipu, foi aceita a possibilidade de o Governo paraguaio fazer uma auditoria da dívida que compartilha com o Brasil.

"Antes isso era intocável. Agradecemos a Lula por essa abertura", afirmou. "As relações" com o Brasil são respeitosas, "podemos ter diferenças, mas não é para gerar polêmica", esclareceu Lugo.

Estados Unidos

Após o encerramento da Cúpula, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva falou com cautela sobre a declaração do líder da Bolívia, Evo Morales, que conclamou os países da América Latina e do Caribe a retirarem os embaixadores dos Estados Unidos se "após um prazo" Barack Obama não suspender o embargo econômico a Cuba.

"Eu sou mais cauteloso do que Evo Morales", disse o presidente brasileiro em entrevista coletiva. "Temos que esperar que o presidente dos Estados Unidos assuma seu cargo (em 20 de janeiro), para ver qual será sua proposta de política para a América Latina", afirmou.

Segundo o governante brasileiro, é preciso esperar o tratamento de Obama a Cuba e seguir sua estratégia em relação ao Oriente Médio, para ver se "haverá ou não mudanças na política internacional dos Estados Unidos".

"Depois, vamos saber o que se passa com o muro que estão construindo no México", acrescentou Lula, que reiterou a conveniência de esperar os "sinais" da política de Obama e, depois, brincou, dizendo "que visite a Venezuela" ou "podemos convidá-lo a um encontro com a América Latina e do Caribe para discutir sua política internacional".

Lula reconheceu ter "esperanças" de uma mudança na política de Washington porque, disse, "não é possível que os Estados Unidos não se dêem conta de que a América Latina mudou, acabou a luta armada e todos os que pensavam em chegar ao poder pela luta armada, salvo as Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia), já chegaram ao poder".

Cuba

O líder brasileiro criticou o embargo americano a Cuba, dizendo que a medida "não tem nenhum sentido" e responde a uma atitude de "malcriados".

Morales também se referiu a Cuba na entrevista coletiva presidencial conjunta, para insistir em que "a América Latina não deve abandonar Cuba".

"Certamente esperaremos algum tempo para que se levante o bloqueio econômico a Cuba", expressou Morales, que assegurou que enquanto persista essa situação "seguirá crescendo a rebeldia (na América Latina) pelas imposições que vêm do governo dos Estados Unidos".

O hondurenho Manuel Zelaya sustentou que "há uma mudança na política externa da América Latina" e advertiu que a região "não terá 'duas caras', uma defendendo Cuba no Grupo do Rio e outra não defendendo na OEA (Organização dos Estados Americanos). Agora temos uma mesma posição", concluiu.

* Com informações da EFE

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