Cúpula asiática na Tailândia é invadida por manifestantes e tem que ser adiada

Uma cúpula asiática organizada em Pattaya, na Tailândia, teve que ser interrompida neste sábado quando hordas de manifestantes invadiram o hotel de luxo onde deviam acontecer os debates, obrigando os dirigentes presentes a se retirarem apressadamente em um clima de caos total, anunciou o governo tailandês.

AFP |

"Todas as reuniões foram adiadas", declarou o porta-voz do governo, Panitan Wattanayagorn, explicando que a medida foi tomada "para garantir a segurança dos dirigentes" dos 16 países da região Ásia-Pacífico convidados para a cúpula.

Estes dirigentes tiveram que ser retirados do local de helicóptero, segundo fontes oficiais e jornalistas da AFP.

O primeiro-ministro tailandês, Abhisit Vejjajiva, anunciou à televisão que o estado de emergência foi decretado em Pattaya e na província de Chonburi, uma medida que dá mais poderes às forças da ordem. As reuniões de mais de cinco pessoas estão agora proibidas.

Nenhuma nova data foi adiantada para a realização da cúpula entre os países do sudeste asiático e seus principais parceiros. A cúpula já fora adiada em dezembro passado, devido à interminável crise política na Tailândia.

Centenas de "camisas vermelhas", como são chamados os partidários do ex-primeiro-ministro no exílio Thaksin Shinawatra, invadiram neste sábado o complexo hoteleiro de luxo onde estavam reunidos os participantes da cúpula.

Gritando slogans hostis a Abhisit, os manifestantes invadiram várias partes do hotel, afugentando alguns turistas que descansavam à beira da piscina.

Antes de irromper no complexo, os "camisas vermelhas" já tinham bloqueado as ruas de Pattaya com a ajuda de centenas de táxis.

Este bloqueio provocou o cancelamento de um encontro entre os ministros chinês, japonês e sul-coreano das Relações Exteriores, assim como o adiamento de reuniões entre os dirigentes dos dez países da Associação das Nações do Sudeste Asiático (Asean), da China, da Coreia do Sul e do Japão.

A situação piorou quando "camisas azuis", o nome dado aos militantes pró-governo, chegaram ao hotel com garrafas e pedaços de madeira, deflagrando uma briga generalizada que deixou 13 feridos, segundo os socorristas.

O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, "lamentou profundamente" o adiamento da cúpula, à qual devia comparecer, mas disse "entender" os motivos que levaram a Tailândia a tomar esta "difícil decisão".

Os "camisas vermelhas" estão acampados diante da sede do governo em Bangcoc desde o dia 26 de março. Eles exigem a renúncia do primeiro-ministro Abhisit. Quarta-feira, eles reuniram mais de 100.000 pessoas nas ruas da capital.

Ao interromper a cúpula, os "camisas vermelhas" mostraram que a crise na Tailândia ainda está longe do fim, segundo o comentarista político Thitinan Pongsudhirak. "O objetivo deles é impedir o governo de funcionar, e é exatamente isso que fizeram hoje", afirmou.

bur/yw

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