Cúpula aprova criação da União pelo Mediterrâneo

Paris, 13 jul (EFE).- Os chefes de Estado reunidos hoje em Paris aprovaram a criação da União pelo Mediterrâneo (UPM), um novo marco na cooperação entre a União Européia (UE) e seus vizinhos mediterrâneos para promover o avanço dos processos de paz e a estabilidade na região.

EFE |

"Todos tínhamos sonhado, agora a UPM é uma realidade", destacou o presidente francês, Nicolas Sarkozy, ao término da Cúpula da União pelo Mediterrâneo, que reuniu mais de 40 chefes de Estado ou Governo da UE e do região mediterrânea.

A UPM procura dar um novo impulso à cooperação entre ambas margens do Mediterrâneo através do estabelecimento de mecanismos permanentes que assegurem a execução de projetos de integração regional, que já têm seis idéias iniciais aprovadas.

Os ministros de Relações Exteriores dos 43 países presentes se reunirão em novembro para tentar conseguir um acordo sobre a sede do secretariado permanente - à qual Barcelona já se candidatou - e para definir as modalidades específicas de financiamento, explicou Sarkozy.

A criação da UPM é "um passo gigante que abre uma nova página na cooperação Euro-mediterrânea", assinalou o presidente egípcio, Hosni Mubarak, que divide a presidência da cúpula com Sarkozy.

Mubarak acredita também que este novo marco de cooperação levará "mais paz e mais estabilidade" para a região mediterrânea.

O presidente da Comissão Européia, José Manuel Durão Barroso, afirmou que a UPM abrirá a via para "uma autêntica integração regional" e ressaltou a necessidade de reduzir as disparidades entre as margens norte e sul do Mediterrâneo.

Barroso reconheceu que, embora o Mediterrâneo seja uma região crítica para a Europa por seus numerosos conflitos, também é uma região "promissora".

A Cúpula da UPM estabelece estruturas permanentes, como a co-presidência rotatória que será compartilhada entre europeus e países do sul do Mediterrâneo, além de um secretariado permanente que se encarregará de conseguir financiamento público e privado para os projetos e de supervisionar suas execuções.

Sarkozy destacou que a Cúpula da UPM, que dará novo vigor ao "Processo de Barcelona" criado em 1995, dispõe de "muito dinheiro" através dos fundos comunitários, além dos que se esperam obter da iniciativa privada.

"Não acho que seja dinheiro que falta, mas a paz, a segurança", destacou o presidente francês, que exerce a Presidência rotatória do Conselho da UE.

"Não há problema de financiamento (...) o que falta é a confiança e o investimento favorecido pela estabilidade. O investimento será incentivado pela estabilidade" na região, disse Mubarak.

A busca pela paz na região mediterrânea marcou os encontros diplomatas prévios e paralelos a esta cúpula, especialmente em relação ao processo de paz israelense-palestino, com os contatos entre Israel e Síria através da Turquia e com os avanços pela estabilidade do Líbano.

Sarkozy insistiu "todo o mundo fez um esforço", já que participaram da cúpula países que estão oficialmente em guerra entre si, como a Síria e Israel, assim como a Autoridade Nacional Palestina.

Os dirigentes árabes "são homens valentes" ao participarem de uma reunião com os israelenses.

"Todo o mundo fez um esforço", insistiu o presidente francês.

O presidente egípcio afirmou que "todos os países buscam ter, um dia ou outro, relações com Israel", por isso que a presença de árabes e israelenses na mesma mesa junto com europeus não supõe nenhum problema.

Nesta atmosfera positiva, Sarkozy disse que não se deu conta da ausência do presidente sírio, Bashar al-Assad, enquanto o primeiro-ministro israelense Ehud Olmert discursava. EFE rcf/ab/plc

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