Cúpula América Latina-UE reúne expectativas de novos acordos comerciais

Esther Rebollo Lima, 15 mai (EFE).- A 5ª edição da Cúpula América Latina-Caribe-União Européia (EU-LAC, na sigla em inglês) será realizada amanhã e sábado em Lima com a esperança de anúncios de novos acordos e avanços na promoção do comércio.

EFE |

Até o momento confirmaram presença no evento pelo menos 45 chefes de Estado e de Governo, disse à Agência Efe o coordenador-geral da cúpula, Hernán Couturier, que desempenhou até agosto do ano passado o cargo de embaixador do Peru no Brasil.

Estarão representados na cúpula praticamente todos os países latino-americanos e do Caribe, além da cúpula da Comissão Européia (CE, órgão executivo da União Européia), liderada pelo presidente da instituição, José Manuel Durão Barroso.

A ampliação da União Européia (UE) para 27 Estados-membros é o motivo da cúpula, cujas grandes expectativas foram perdendo força nos últimos dias devido à confirmação das ausências de alguns pesos-pesados da Europa: o francês Nicolas Sarkozy, o britânico Gordon Brown e o italiano Silvio Berlusconi.

Couturier minimizou o fato ao explicar que "as razões das ausências obedecem a problemáticas internas", e que "seus países vão estar adequadamente representados e participarão das decisões mais importantes".

Passados quase dez anos desde a primeira Cúpula América Latina-UE, a 5ª edição do evento permitirá a realização de um balanço e a adoção de medidas concretas, sob o lema "Respondendo Juntos às Prioridades de Nossos Povos".

"O início da mudança ocorreu em Viena (2006). Na ocasião, foram tomadas decisões, que em Lima serão concretizadas. A cúpula deste ano será um divisor de águas", assegurou, ao destacar que os líderes participarão neste sábado de debates sobre temas como a pobreza e a mudança climática.

Também é esperada uma consolidação do diálogo sobre comércio entre a UE e o Mercosul durante as chamadas "minicúpulas" de amanhã.

A Cúpula América Latina-UE teve sua primeira edição em 1999, no Rio de Janeiro. Na ocasião, foram definidas prioridades e metas como a associação estratégica baseada em três pilares: diálogo político, livre-comércio e cooperação.

Madri serviu de palco para a segunda edição, em 2002, quando foi introduzido na agenda do evento o debate sobre imigração e foi oficializado o acordo de associação entre a UE e o Chile, o primeiro do tipo entre as duas regiões que dão nome à cúpula.

A 3ª edição do evento ocorreu em 2004 na cidade mexicana de Guadalajara e destacou temas como terrorismo, desarmamento e narcotráfico, sob a comoção dos atentados perpetrados pela Al Qaeda em estações de trem na capital espanhola meses antes.

A mudança climática também foi alvo das discussões no México, assim como a contribuição dos imigrantes para o desenvolvimento dos países de destino e a importância das remessas de dinheiro como fonte de receita.

Viena recebeu a Cúpula América Latina-UE em 2006, quando foram reiterados os compromissos e abertas as negociações para um acordo de associação entre a UE e a América Central, enquanto se preparava o terreno para um tratado similar com os países andinos.

Na capital austríaca, os líderes reafirmaram propósitos de contribuir para a manutenção das democracias e de respeitar a vontade popular para escolher sistemas político, econômico, social e cultural. Defenderam ainda os direitos dos povos indígenas.

A Cúpula América Latina-UE compreende atualmente 60 Estados soberanos, mais de um trilhão de habitantes e um quarto do Produto Interno Bruto (PIB) mundial.

A UE, que progressivamente foi "roubando" espaço dos Estados Unidos na América Latina, é o principal doador de ajuda na região e o segundo maior investidor e parceiro comercial, chegando a duplicar seus números no setor com relação a 1990, segundo dados da CE.

No campo da cooperação, a UE destina à América Latina uma média de 450 milhões de euros (US$ 688,5 milhões) por ano.

Além disso, o Banco Europeu de Investimento (EIB, na sigla em inglês) conta com 2,8 bilhões de euros (US$ 4,284 bilhões) para financiar projetos públicos e privados até 2013, com atenções voltadas, sobretudo, para a implementação da TV digital terrestre em países que optem pelo padrão europeu.

As cartas estão na mesa. Há muitos projetos e muita expectativa para a cúpula, que será presidida pelo Peru, o país sul-americano com a maior previsão de crescimento para este ano (8%) e que aguarda de braços abertos investimentos de países europeus. EFE erm/fr/mh

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