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Cubanos não vêem com maus olhos o novo inimigo

Havana, 5 nov (EFE).- Os cubanos não vêem com maus olhos a eleição de Barack Obama como novo presidente dos Estados Unidos, o histórico inimigo da ditadura de Fidel Castro, que sempre lhes atribuiu boa parte dos problemas da ilha.

EFE |

Sem esperar a que o Governo se pronuncie sobre o resultado eleitoral e com os jornais -todos oficiais- pondo em dúvida que o próximo presidente americano represente a "mudança", os cubanos não escondem hoje sua esperança de que a chegada de Obama à Casa Branca traga mudanças para o vizinho do norte e para a ilha.

"Quando Fidel fala bem dele, é que ele é bom. Fidel não se queima", disse à agência Efe Obdulio, vendedor de livros de 68 anos de idade, que vê o triunfo do democrata como "um benefício para toda a humanidade".

O ex-presidente Fidel Castro escreveu que Obama "é sem dúvida mais inteligente, culto e equânime que seu adversário republicano", John McCain, e "tem bem articuladas suas idéias e bate várias vezes com elas na mente dos eleitores".

O livreiro assinalou, no entanto, que Obama segue defendendo o sistema de seu país, "por isso está aí", e que "embora disfarçado de Chapeuzinho (Vermelho) é um leão do sistema".

César, de 27 anos, seguiu a campanha de perto e o resultado lhe deixou "muito contente", porque acredita que com o triunfo do democrata "pode haver uma melhora para Cuba em todos os sentidos".

"Vai a tratar de mudar a imagem dos Estados Unidos ao mundo, e em Cuba pode ser que alcance que as relações melhorem, não tanto politicamente, mas sim no econômico. Pode ser que se tirem algumas leis duras que teve este companheiro que se foi", comentou em referência a George W. Bush.

Outros cubanos, como Julio, taxista de Havana, o vê em termos mais práticos. "Tomara começassem a mandar um pouco de turistas americanos, para ver se melhora a coisa", disse.

A imprensa cubana, toda estatal, dedica hoje espaços quase não-valorativos à disputa americana.

O "Granma", jornal do Partido Comunista, faz chamada na primeira página para um artigo de página inteira em que revisa a trajetória política de Obama e a cronologia da campanha, não sem deixar de perguntar se o novo presidente é realmente o candidato da mudança.

Muito mais breve, o "Juventud Rebelde" não dá chamada de capa à eleição mal dedica um quarto de página ao triunfo democrata.

A vitória de Obama ainda parece longe de representar uma aproximação entre os países, segundo analistas consultados pela Efe.

Segundo um analista europeu, "não haverá mudanças da noite para o dia" entre Estados Unidos e Cuba.

O governante cubano, Raúl Castro, reiterou sua disposição de se sentarcom o presidente eleito para resolver "a diferença" entre os dois países, ao que Obama está disposto, segundo disse na campanha.

De acordo com dissidentes, como Oscar Espinosa Chepe, um dos 75 opositores condenados em julgamentos sumários em 2003, após o triunfo de Obama, agora "Raúl Castro tem a bola em seu campo".

O moderado Manuel Cuesta Morúa, do Arco Progressista, com isto "se requereria muita imaginação das autoridades cubanas, que acho que não têm, para manter o confronto com os Estados Unidos", acrescentou. EFE jlp/jp

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