Cubanos fazem fila para comprar produtos antes proibidos

Por Rosa Tania Valdés e Nelson Acosta HAVANA (Reuters) - Cuba começou na terça-feira a venda sem restrições de equipamentos eletrodomésticos, medida que entusiasmou os cubanos, que fizeram fila nas lojas. Mesmo assim, a espera pelos produtos vai continuar grande, por causa dos baixos salários.

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As lojas foram autorizadas a vender dezenas de eletroeletrônicos outrora proibidos, como fornos microondas, televisores de tela plana e até computadores.

'Isto deveria ter sido feito há muito tempo. Eles nunca deveriam ter sido proibidos', disse Felipe, engenheiro de 53 anos, que esperava impaciente na fila para comprar seu primeiro aparelho de DVD.

'Agora nós, cubanos, temos outras opções e assim se resolve um pouco a alternativa do transporte', disse o animado Raydel Leyva, 42, depois de investir suas economias numa moto de 858 dólares, em Havana. 'Acredito que todas essas medidas vieram para melhorar a vida do povo e nos fazer sentir melhor vivendo no nosso país', disse Leyva, que não quis revelar por quanto tempo juntou dinheiro para comprar a moto.

Com uma renda média de 17 dólares por mês, os cubanos não podem comprar muitos dos novos itens à venda, mas mesmo aqueles que não têm condições se alegraram com a mudança.

'Os preços são astronômicos. Mas pelo menos eu tenho essa opção, e posso economizar para comprar o que quero. As pessoas vão trabalhar mais para comprar esses artigos', disse Gelis, instrutora de tênis autônoma.

Os produtos mais vendidos eram os de menores preços, como as panelas de pressão, cujo valor ia de 17 a 54 dólares, e os aparelhos de DVD da Philips e da Panasonic, que custavam entre 118 e 162 dólares -- mais caros do que em outros países, mas bem mais baratos do que no agitado mercado negro de Cuba.

Já os aguardados computadores e laptops da Dell e teclados e mouses da Microsoft foram retirados das lojas antes da venda começar, até que sejam fixados os preços. Ainda não está claro quando começa a sua venda.

Até agora, esses aparelhos só podiam ser adquiridos por empresas estatais. A maioria dos artigos vem da China.

Antes de adoecer, Fidel Castro iniciou um programa de financiamento a longo prazo de televisores, geladeiras e panelas elétricas chinesas.

Raúl Castro sucedeu o irmão no dia 24 de fevereiro, prometendo acabar com as 'proibições excessivas' no cotidiano de Cuba.

Logo permitiu, além dos eletrodomésticos, o acesso a celulares e a hotéis antes reservados apenas a estrangeiros.



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