Dezenas de cubanos formaram filas nesta segunda-feira em escritórios da telefonia estatal, impacientes por comprar um celular, apesar dos preços astronômicos para o cubano médio - uma possibilidade que até agora era reservada apenas a estrangeiros e que recentemente foi autorizada pelo governo de Raúl Castro.

"A autorização é muito boa, o serviço é caríssimo, mas a necessidade obriga", declara à AFP Iluminada Rodríguez, de 58 anos, que antes do sol nascer já estava na fila de um dos cinco escritórios em Havana, onde os cubanos puderam contratar esses serviços nesta segunda, apesar de em divisas (peso cubano conversível ou CUC).

Como muitos, Iluminada leu a notícia em 28 de março no jornal Granma e correu para avisar a família que vive em Miami para lhe financiar um celular.

"Com minha aposentadoria de 202 pesos mensais (cerca de 15 reais) não poderia pagar, mas sabia que minha família iria pagar, porque para falar com eles dependia até agora de um vizinho", comenta.

A compra de celulares, até agora reservada a estrangeiros, foi liberada como parte do fim de algumas proibições e limitações que Raúl Castro realiza no governo, que também deu acesso aos cubanos a hotéis, aluguel de automóveis e compra de computadores.

Em 30 escritórios da Empresa de Telecomunicações de Cuba (ETECSA), os cubanos podem escolher entres seis modelos de aparelhos que vão de 64,80 dólares até 288,80, e contratar uma linha por 119,88 dólares. Pagam o serviço com a modalidade de pré-pago, com cartões de 1,80; 21,60 ou 42m20 dólares.

A livre contratação de telefones celulares foi muito bem recebida pelos cubanos, apesar de muito não terem acesso a esse serviço devido aos altos preços.

O salário médio em Cuba é de 408 pesos (cerca de 30 reais), mas muitos possuem outras fontes de renda.

Apesar das tarifas elevadas, os novos celulares cubanos poderão ligar diretamente para Miami (2,91 dólares por minuto) ou a qualquer outro local no exterior.

Outros cubanos que adquiriram no passado os celulares através de algum amigo estrangeiro - que registra o aparelho em seu nome - terão a possibilidade de legalizar o serviço a partir de 8 de junho.

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