Cubanos e americanos pedem que Obama normalize relações com Cuba

María Peña. Washington, 10 dez (EFE) - Líderes do exílio cubano e acadêmicos dos Estados Unidos pediram hoje ao presidente eleito, Barack Obama, que levante as restrições de viagens e envios a Cuba, como primeiro passo para a normalização das relações bilaterais. O diretor-executivo do Cuba Study Group, Tomás Bilbao, e o presidente da Coalizão de Emergência para Defender as Viagens Educacionais (ECDET) e ex-chefe do Escritório de Interesses dos EUA em Cuba, Wayne Smith, concederam uma entrevista à Agência Efe. Eles explicaram que, apesar de terem estratégias distintas, são unidos pelo desejo de eliminar uma fracassada política de isolamento em direção à ilha. A ONU deu razão a eles, já que, pelo 17º ano consecutivo, a Assembléia Geral votou, em outubro, a favor da suspensão do embargo de 46 anos contra Cuba, embora os Estados Unidos nunca tenham aceitado a proposta. Mesmo assim, os dois líderes crêem que é hora de Obama, que será empossado no dia 20 de janeiro, estenda uma ponte a Cuba e dê um certo frescor a uma política externa que, em suas opiniões, é vestígio da Guerra Fria. Se os 28 países do Leste Europeu nos ensinaram alguma coisa é que há uma relação direta entre o grau de abertura de uma sociedade e a bem-sucedida transição à democracia, afirmou Bilbao. Para ele, os Estados Unidos devem levantar a proibição de viagens e envios não só para os cubano-americanos - como prometeu Obama -, mas também para todos os americanos. O Cub...

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Os partidários das restrições alegam que não se pode premiar um regime totalitário e que o turismo europeu e de outros países também não surtiu o efeito desejado.

O Congresso não pôde levantar as restrições pela ameaça do veto presidencial, "mas agora temos um presidente que quer dirigir a política externa a partir de outro prisma, e o consenso no movimento democrático em Cuba é que é preciso romper o isolamento...temos que escutar as pessoas que pretendemos ajudar", destacou Bilbao.

Uma crescente maioria de exilados apóia que os Estados Unidos flexibilizem sua política em direção ao país vizinho, que fica a 144 quilômetros da Flórida, segundo pesquisas financiadas pelo grupo.

Smith, por sua parte, assegurou que a normalização das relações entre EUA e Cuba levará algum tempo, mas Washington deve iniciar um diálogo.

"O levantamento das restrições exigiria ação do Congresso, mas, de uma só vez, o presidente eleito pode eliminar as que regem as viagens acadêmicas, e isso seria um bom começo", explicou Smith, também diretor do Programa de Troca com Cuba da Universidade de Johns Hopkins.

Ele previu o fim do embargo "até o fim do primeiro mandato" de Obama, mas advertiu de que "os cubanos jamais vão aceitar condições" para, por exemplo, libertar prisioneiros políticos.

"A solução está em encorajar a abertura de Cuba, não em seu isolamento. Comecemos um diálogo", destacou Smith, que trabalhou no Departamento de Estado por 25 anos, incluindo três como chefe do Escritório de Interesses dos EUA em Cuba (1979-1982).

A ECDET, com mais de 450 líderes acadêmicos dos EUA, pediu hoje, em carta a Obama, para que elimine as medidas que prejudicaram "centenas" de cursos e programas educativos organizados por instituições americanas.

Grupos como a Fundação Nacional Cubano-americana (CANF) e vários congressistas de origem cubana prometem manter uma "ferrenha" oposição a qualquer tentativa de flexibilizar o embargo. EFE mp/db

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