Cubanos driblam obstáculos para se expressar na web

Para manter sites, blogueiros contam com a ajuda de amigos no exterior, pois acesso à internet é caro e limitado na ilha

Luísa Pécora, iG São Paulo |

Cuba é o quarto pior lugar do mundo para ser um blogueiro, indicou em um relatório de 2009 o Comitê de Proteção aos Jornalistas (CPJ), organização que defende a liberdade de imprensa. Segundo a instituição, a ilha só perde para Mianmar, Irã e Síria.

Uma das principais razões para a inclusão do país no ranking é o fato de o bloqueio do governo impedir que moradores da ilha acessem sites críticos ao cotidiano do país. Além disso, blogs como Generación Y , de Yoani Sánchez, a blogueira mais famosa de Cuba, só conseguem ir ao ar porque são hospedados em servidores estrangeiros.

© AP
Yoani Sanchéz, autora do blog Generación Y, é vista em sua casa em Havana (11/04/2008)

Em seu blog, Yoani publica relatos sobre situações do dia-a-dia na ilha, frequentemente acompanhados de críticas ao regime comunista. Os textos são escritos em sua casa, no laptop que ganhou em 2008 no Prêmio Ortega y Gasset, concedido pelo jornal espanhol “El País”.

Depois de escrevê-los, ela salva os arquivos em um pen drive e vai a um hotel ou café de Cuba para acessar a internet e enviá-los a amigos de outros países. São eles que mantêm o blog atualizado. A própria Yoani fica conectada apenas algumas horas por semana, já que o acesso à rede custa em média US$ 6 por hora.

Se a situação é difícil para quem produz conteúdo, também não é fácil para quem quer ter acesso a ele. Segundo o relatório mais recente do Ministério de Informática e Comunicação de Cuba, em 2008 apenas 129 de cada 1 mil habitantes do país eram usuários da internet. Além disso, apenas 56 de cada 1 mil cubanos possuíam um computador pessoal.

De acordo com o Comitê de Proteção dos Jornalistas, atualmente há cerca de cem blogs independentes e regularmente atualizados em Cuba, número bastante inferior aos 200 mantidos por cubanos partidários do governo, de acordo com estimativa da União dos Jornalistas de Cuba.

Entre os independentes, 25 têm conteúdo jornalístico e, segundo o CPJ, foram criados por cubanos com idade entre 20 e 30 anos de diferentes profissões: jornalistas, estudantes, professores, advogados, artistas, fotógrafos e músicos. A maioria assina os posts com seus próprios nomes, embora alguns usem pseudônimos.

Os temas mais discutidos são a escassez de alimentos na ilha, além de problemas na educação, saúde, habitação e acesso à internet - assuntos que não costumam frequentar as páginas dos jornais oficiais, única fonte de informação para muitos cubanos.

    Leia tudo sobre: cubayoani sánchezinternet

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG