Cubanos celebram, mas duvidam de reintegração à OEA

Por Rosa Tania Valdés HAVANA (Reuters) - Poucos cubanos imaginam que o regime comunista solicitará sua reintegração à Organização dos Estados Americanos, que na quarta-feira encerrou uma suspensão do país que durava desde 1962.

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Países latino-americanos, defensores da medida, qualificaram a decisão da assembleia geral da OEA em Honduras como "histórica" e um "desagravo" a Cuba. Apesar da grande repercussão internacional, a notícia não foi imediatamente divulgada na ilha, o que não impediu que alguns opinassem.

"É uma boa notícia, porque a corda continua afrouxando, mas o governo não vai dar marcha a ré, nem vai dizer agora que a OEA é boa. Estou seguro de que não vai pedir sua reintegração ao organismo", disse em Havana o professor Daniel Rodríguez.

A resolução da OEA não estabelece condições explícitas para a reincorporação de Cuba, mas afirma que isso dependerá de um processo de diálogo e negociações.

O governo cubano ainda não se manifestou, mas havia dito anteriormente que não pretendia voltar a uma organização que considera "cúmplice" de crimes contra o país.

O influente ex-presidente Fidel Castro reiterou tal resistência, mas elogiou os países latino-americanos que se empenharam em suspender o veto à presença da ilha.

"Nunca se viu tanta rebeldia. A batalha é sem dúvida dura (...). Tê-la travado é por si uma proeza dos mais rebeldes", escreveu Fidel na quarta-feira na imprensa oficial.

Manuel Cuesta Morúa, líder do grupo opositor moderado Arco Progressista, elogiou a decisão da OEA, que chamou de "estratégica". "É o melhor que pode acontecer para os que nos interessamos pela normalização democrática da ilha", disse ele por telefone à Reuters.

Ele no entanto se mostrou cético quanto à adesão do regime. "Acho que o governo de imediato vai reagir negativamente (...), mas em médio prazo não terá opção senão sentar-se ali", afirmou.

O aposentado Rolando Duany, que vive em Havana, disse à Reuters que Cuba foi expulsa da OEA "quando mais nos fazia falta a união dos povos latino-americanos". "Hoje acho que não faz falta para Cuba estar lá."

Diego Jérez, professor de Matemática, também desdenhou do convite. "Não vejo sentido em pertencer à OEA. Fomos expulsos. A OEA não resolve nada. Não nos favorece em nada nos nossos interesses. Não traz nenhum benefício."

(Reportagem adicional de Nelson Acosta)

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