Cubano em greve de fome e sede espera visita de diplomatas espanhóis

Havana, 5 mar (EFE).- O dissidente cubano Guillermo Fariñas, em greve de fome e sede há nove dias, espera uma visita de diplomatas espanhóis em sua casa, na cidade de Santa Clara, mas disse que não sabe que negociação o Governo espanhol pode estar fazendo a seu favor.

EFE |

"O embaixador da Espanha, Manuel Cacho, e seu conselheiro político, Carlos Pérez, me disseram que viajariam hoje para cá, me pediram permissão para saber se podiam vir", disse Fariñas por telefone à Agência Efe.

Segundo o psicólogo e jornalista de 48 anos, os diplomatas ligaram na quinta-feira e pediram para conversar com ele pessoalmente, e por isso devem viajar hoje para Santa Clara, que fica a 280 quilômetros ao leste de Havana.

"Também me pediram há três dias uma mensagem para o Governo espanhol", admitiu o dissidente, que começou seu protesto para pedir a libertação de 26 presos políticos cubanos que estão doentes, segundo a oposição.

O ministro de Assuntos Exteriores espanhol, Miguel Ángel Moratinos, disse na quinta-feira que sua pasta está fazendo negociações com o Governo de Cuba para evitar a morte de Fariñas.

"Não sei que negociação estão fazendo", disse Fariñas à Efe, após destacar que o chanceler cubano, Bruno Rodríguez Parrilla, afirmou nesta semana em Genebra, no Conselho de Direitos Humanos da ONU, que nenhum Governo se dirigiu oficialmente a Havana para solicitar a libertação de presos políticos.

Sobre seu estado de saúde, explicou que se sente "melhor fisicamente" após os oito litros de soro que recebeu na quarta-feira, quando teve que ser hospitalizado após sofrer um choque hipoglicêmico.

No entanto, ressaltou que os médicos lhe diagnosticaram hoje uma virose que complica seu caso, já que pode acelerar sua deterioração física.

Fariñas reiterou que só admite ser hospitalizado caso perca a consciência, o que ocorreu pela primeira vez na quarta-feira passada.

Após ser hidratado, os médicos calcularam que o próximo colapso pode acontecer em sete ou oito dias.

O dissidente passou mais de 11 anos preso e fez 23 greves de fome desde 1995, uma de seis meses em 2006, com intervalos em um hospital onde foi alimentado por via intravenosa, para exigir acesso irrestrito à internet na ilha. EFE arj/bba

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