Cuba torce por Obama na esperança de um diálogo

Jogando dominó sobre um tabuleiro em sua casa, no centro de Havana, Pedro, eletricista, encanador e grande artesão do faz-tudo, está cem por cento seguro que toda Cuba torce por Barack Obama, o candidato democrata americano favorável a uma distenção das relações com a ilha.

AFP |

"Muchacha! Não há ninguém em Cuba que não queira Obama como presidente dos EUA. Será ele que vai fazer mudar a política estúpida observada contra nós há meio século", explica Pedro a uma jovem diante do tabuleiro de dominó.

Pedro tinha apenas 12 anos quando John F. Kennedy instaurou em 1962 um embargo comercial e financeiro contra a ilha comunista de Fidel Castro. Depois disso, os presidentes americanos se sucederam, mas "o bloqueio", como os cubanos chamam, permaneceu, da mesma forma, ou quase - como os irmãos Castro.

Mas Barack Obama faz soprar um vento de esperança em Cuba dizendo-se aberto a um diálogo e prometendo aliviar as restrições impostas à comunidade cubana estabelecida nos Estados Unidos, seja em relação a viagens à ilha ou para a remessa de dinheiro a parentes que permaneceram em Cuba.

Na ilha de 11,2 milhões de habitantes, quase todos tiveram alguém que foi para o exterior, por motivos econômicos (o salário médio mensal é de 16 dólares), ou políticos.

Mesmo se em seu último discurso em julho passado, o presidente Raúl Castro não tenha renovado as ofertas de diálogo a Washington, a possibilidade de uma abertura parece mais real se Barack Obama for eleito.

O chefe da diplomacia cubana Felipe Perez Roque considera "construtiva" a posição de Obama em relação a Cuba e qualifica seu adversário republicano John McCain de "dinossauro".

Desde seu "afastamento médico", que não o impediu, no entanto, de influenciar nos últimos dois anos a evolução da política cubana, Fidel Castro, 82 anos, foi muito mais longe: comparou Obama aos líderes negros Martin Luther King ou Malcom X, considerando "milagroso" que não tenha sido assassinado como eles.

No bairro de Havana onde mora Pedro e vive uma maioria de negros, as conversas sobre as eleições de terça-feira nos Estados Unidos falam também de racismo - um fato que, segundo os cubanos, poderia tirar votos de Obama.

"Os americanos não vão permitir que um negro os dirija. Você verá!", lança Norma, vizinha de Pedro e que tem a pele da cor de ébano.

Mas, para Jorge, o companheiro de dominó de Pedro, o jogo está feito e Obama vai se tornar o primeiro presidente negro da história dos Estados Unidos. "McCain é feito da mesma madeira que Bush. Se não houver diálogo, continuaremos do mesmo jeito" e os que sofrem são sempre gente comum, estima Barbara, uma costureira de 42 anos.

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