O presidente cubano Raúl Castro encabeçou neste domingo as homenagens póstumas ao comandantes histórico e vice-presidente Juan Almeida, número três do país que faleceu na sexta-feira aos 82 anos vítima de uma parada cardiorrespiratória.

Raúl Castro, vestido com seu uniforme de general, depositou flores ante o retrato de Almeida está exposto no Memorial José Martí, da Praça da Revolução de Havana.

Os membros do Birô Político do Partido Comunista, do qual Almeida fazia parte, também prestaram sua homenagem, seguidos de representantes de várias organizações sociais.

Cuba decretou luto neste domingo e, segundo o comunicado oficial do Birô Político, a última vontade de Almeida é que seus restos não fossem expostos e sim sepultados em data não definida, no mausoléu da III Frente, nas montanhas de Sierra Maestra, onde lutou.

Nascido em 17 de fevereiro de 1927, Juan Almeida acompanhou fielmente os irmãos Fidel e Raúl Castro durante mais de meio século de revolução, marcando presença da população negra e de caráter popular no mais reduzido círculo de poder num momento de forte racismo e de uma tradição de generais e doutores nos governos anteriores.

Pouco depois do golpe de Estado que em 10 de março de 1952 instalou a ditadura de Fulgencio Batista, Almeida, então um pedreiro de 25 anos, conheceu o advogado Fidel em uma reunião organizada para preparar a luta.

Atirador hábil, estava junto a Fidel Castro no frustrado assalto ao quartel Moncada em 1953, na prisão, no exílio no México e na expedição do iate Granma (1956) para lutar na Sierra Maestra.

Principal assessor de Fidel na guerrilha, foi o terceiro - depois do argentino Ernesto Che Guevara e de Raúl Castro - a quem o líder revolucionário entregou os graus de comandante rebelde.

"Sempre vi Fidel como um líder indiscutível, que nos guiu e preparou para que a revolução não se detivesse. Raúl foi como um irmão mais novo, somos companheiros de luta, irmãos de sentimento, amigos de coração", declarou em uma entrevista ao jornal Granma no ano passado.

Desde que foi criada em 1993, presidia a Associação de Combatentes da Revolução Cubana (veteranos de guerra), se graduou em 1996 na Academia Superior Militar de Cuba e, dois anos depois, foi declarado "héroi da nação".

Teve nove filhos de três casamentos. Sua primogênita, Beatriz, vive nos Estados Unidos desde 2005, e um dos rapazes, Juan Juan Almeida García, foi detido em maio passado quando tentava imigrar ilegalmente para Miami para se reunir com sua esposa.

Almeida também era músico e escritor e dedicou várias de suas obras ao tema da revolução.

rd/cn

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