Cuba rejeita ONU como mediadora contra a crise econômica

Havana, 29 abr (EFE).- O presidente cubano, Raúl Castro, líder rotativo do Movimento de Países Não-Alinhados (Noal, na sigla em inglês), pediu hoje uma ação universal, democrática e equânime para responder à crise econômica internacional e rejeitou as soluções negociadas pela ONU.

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"A superação da crise econômica global pede uma ação organizada com a participação de todos os países", disse Castro durante seu discurso inaugural da reunião ministerial do Noal, que começou hoje em Havana e terminará amanhã.

Ele acrescentou que "a resposta não pode ser uma solução negociada nas Nações Unidas pelos líderes dos países mais poderosos", e disse que a conferência sobre o tema convocada pela Assembleia Geral para junho será "imprescindível" para "debater e buscar soluções de consenso".

Raúl Castro liderou a abertura da reunião ministerial, com representantes de 111 dos 118 países-membros e 140 delegações internacionais, entre elas, a do Grupo dos 77 mais a China, e a liderada pelo presidente da Assembleia Geral da ONU, Miguel D'Decoto.

O encontro ministerial é praticamente o final da Presidência cubana do Noal, que começou em setembro de 2006 e será passada em julho ao Egito, durante a 15ª Cúpula do movimento, que acontecerá nesse país.

"A solução do G20 de fortalecer o papel e as funções do Fundo Monetário Internacional (FMI), cujas políticas funestas contribuíram decisivamente na gênese e agravaram a magnitude da atual crise, não a resolvem, assim não resolvem a desigualdade, as injustiças e a insustentabilidade do atual sistema", ressaltou o presidente cubano.

Raúl Castro destacou a importância "vital e peremptória" que o Noal "atue de maneira organizada" diante da atual crise e que defina suas posições com vistas a sua próxima cúpula.

"Se não atuarmos com a firmeza e a urgência requeridas serão novamente nossos povos os que sofrerão por mais tempo as piores consequências desta crise", afirmou Castro.

Ele destacou que não é "legitimo nem eticamente aceitável um ordenamento global inspirado em 'pretensões hegemônicas' e no egoísmo de minorias privilegiadas".

"Não tenho a menor dúvida de que o Movimento de Países Não- Alinhados continuará sendo um fator fundamental e construtivo nos debates internacionais", disse Castro.

Ele também se referiu hoje à política dos Estados Unidos para Cuba e agradeceu aos países-membros do Noal por sua "firme e invariável solidariedade (...) com a revolução cubana", que mantém o Partido Comunista como legenda única no poder há 50 anos.

"Em particular por sua permanente reivindicação de que se ponha um fim no injusto bloqueio econômico, comercial e financeiro dos Estados Unidos", disse o presidente, em alusão ao embargo que Washington mantém contra a ilha desde 1962.

O presidente cubano alegou que "não é Cuba quem deve fazer gestos rumo aos EUA porque a ilha não mantém sanções contra esse país" e acrescentou que "embora as recentes medidas aprovadas pelo Governo de Barack Obama sejam positivas seu alcance é mínimo".

No entanto, reiterou a predisposição de Cuba a conversar "sobre tudo" com o Governo americano "em igualdade de condições".

Por sua parte, o presidente da Assembleia Geral da ONU criticou as políticas monetárias e a "irresponsabilidade fiscal" do Primeiro Mundo, e disse que no século 21 é nas Nações Unidas que se devem tomar as decisões.

"Respeitamos todas as minorias, e queremos escutar todas, sejam estas G8, G20 ou qualquer outro grupo. Mas é no G-192, na Assembleia Geral, onde se terá que se decidir o rumo que precisamos tomar para escapar da armadilha do egoísmo demencial e suicida ao qual o capitalismo levou ao mundo", disse D'Decoto. EFE arj/jp

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