Cuba libertará mais quatro presos políticos

Medida, parte de acordo entre Raúl Castro e a Igreja Católica, eleva para 36 número de dissidentes soltos desde julho

iG São Paulo |

O governo cubano soltará nos próximos dias quatro presos políticos, com a condição de que sigam para a Espanha. A medida dá continuidade ao processo de libertação de 52 dissidentes, pactuado entre o presidente Raúl Castro e a Igreja Católica.

Segundo informou o arcebispado de Havana, nesta sexta-feira, as novas libertações elevam para 36 o número de dissidentes soltos desde julho. "Dando continuidade ao processo de libertação de prisioneiros, informamos que outros quatro serão soltos brevemente", disse um comunicado do gabinete do cardeal Jaime Ortega.

A decisão de Raúl de libertar os 52 opositores detidos desde 2003 foi aplaudida pela comunidade internacional e diminuiu a pressão sobre Cuba, duramente criticada no começo do ano pela morte do preso político Orlando Zapata, após greve de fome.

Como em casos anteriores, os quatro presos políticos serão levados do presídio até o avião que os conduzirá a Madri.

Vários opositores criticaram as condições da viagem à Espanha, que qualificaram de "desterro forçado". E lembram ainda que não está claro o que ocorrerá com dezenas de presos políticos que se negam a abandonar a ilha.

Para analistas, as libertações representam uma concessão estratégica do governo cubano, e não uma mudança de posição.

No mês passado, Raúl disse que nenhum dos dissidentes havia sido condenado por suas ideias. Grupos de defesa dos direitos humanos e opositores sustentam que, apesar das libertações, as autoridades cubanas continuam hostilizando-os.

Números

Os números de dissidentes presos em Cuba são controversos. De um lado, a Anistia Internacional afirma que apenas um prisioneiro de consciência permanecerá em Cuba caso o governo siga adiante com o plano de libertar os 52 prisioneiros nos próximos meses. Este preso é o advogado Rolando Jimenez Posada, e o grupo de direitos humanos - que cunhou o termo prisioneiro de consciência na década de 1960 - pediu que Cuba o liberte também.

Antes do anúncio da última libertação planejada, a Comissão Cubana de Direitos Humanos, grupo independente que é tolerado na ilha, mas não é reconhecido pelo governo, afirmou que o número de presos políticos atualmente está em torno de 167.

Outros grupos, porém, dizem que o número real é muito maior.

O Human Rights Watch não especifica um número exato, mas inclui em seu registros os nomes de pessoas que foram presas nos últimos anos pelo vago crime de "periculosidade".

*Com Reuters e New York Times

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