Cuba liberta preso político que rejeita o exílio

Iván Hernández, jornalista de 39 anos, já está em sua casa em Matanzas, 100 km a leste de Havana

AFP |

O governo cubano libertou, este sábado, o preso político Iván Hernández, que rejeita exilar-se na Espanha, diminuindo para seis o número de prisioneiros a libertar do grupo de 52 opositores que o presidente Raúl Castro prometeu à Igreja Católica tirar da prisão, confirmou o próprio opositor.

"Estou livre. Vou continuar escrevendo, como fiz na prisão; agora da rua, vou contar as vicissitudes que o cubano comum passa", disse Hernández, jornalista de 39 anos, de sua casa em Matanzas, 100 km a leste de Havana.

Hernández, jornalista de 39 anos, condenado a 25 anos de prisão, era correspondente da agência de oposição Patria, quando foi preso junto a outros 75 opositores em 2003, todos considerados "presos de consciência" pela Anistia Internacional. Destes 75 opositores, 23 foram soltos entre 2004 e 2009 por razões de saúde.

Após um diálogo inédito entre a Igreja e o governo, em maio do ano passado, começou um processo gradual de libertação dos 52 que ainda estavam detidos, 40 dos quais partiram com seus familiares para a Espanha.

"Um major do Ministério do Interior me disse que como saía com licença extrapenal ficasse sossegado em casa, mas eu anunciei que continuarei trabalhando e escrevendo para o jornalismo independente, como antes de ser condenado, em 2003", disse Hernández, após chegar em casa, às 12h locais (15h de Brasília).

Segundo ele, "a casa está cheia de amigos e vizinhos", que foram imediatamente recebê-lo."Estou com a pressão um pouco alta, devido ao estresse, mas estou medicado, assim não tem problema. Também sofro de gastrite, mas está controlada", disse, visivelmente emocionado.

Sobre os outros seis opositores presos que rejitam o exílio, Hernández manifestou a certeza de que em breve serão libertados."Tenho muita fé, embora não comungue com este governo; tenho fé em Deus, tenho fé na Igreja, de que todos os que restam presos da Primavera Negra vão sair logo", enfatizou.

Dos 52 que estavam na prisão, 40 foram para a Espanha com seus familiares, mas 12 rejeitaram o exílio. Entre eles, seis, incluindo Hernández, foram libertados e permanecem em Cuba, enquanto outros seis aguardam a libertação.

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