Cuba lembra com ufanismo e rechaço a EUA 50 anos da revolução

Santiago de Cuba (Cuba), 1 jan (EFE).- O presidente de Cuba, Raúl Castro, afirmou hoje que a revolução está mais forte do que nunca por não ter cedido um milímetro e pediu aos futuros líderes que não se deixem seduzir por propostas enganosas dos inimigos.

EFE |

Vestido com seu uniforme de general de Exército, Raúl liderou hoje o ato principal em comemoração do meio século de revolução, em Santiago de Cuba, onde celebrou a data como uma dupla vitória por ter acontecido em meio ao "ódio doentio e vingativo" dos Estados Unidos.

"Hoje a revolução é mais forte que nunca e jamais cedeu um milímetro em seus princípios nem nos momentos mais difíceis", disse o líder, em uma praça cercada por telas e grandes cartazes com imagens do ex-presidente Fidel Castro e por referências ao triunfo revolucionário.

O presidente prestou homenagem a seu irmão, destacando que "um indivíduo não faz a história, mas há homens imprescindíveis capazes de decidir em seu curso de forma decisiva" e que "Fidel é um deles".

Com uma enorme bandeira cubana amarrada de ponta à ponta do edifício da Prefeitura, o presidente cubano ressaltou que a direção histórica da revolução deve "preparar as novas gerações para assumir a enorme responsabilidade de seguir adiante com o processo revolucionário".

"Que não se apartem jamais de nossos operários, camponeses e do resto do povo, que a militância impeça que destruam o partido.

Aprendamos com a história", disse, após lembrar as palavras de Fidel, quando em 2005 advertiu sobre a possibilidade de que os próprios cubanos pudessem destruir a revolução.

"Se atuarem assim, contarão sempre com o apoio do povo, inclusive quando se equivoquem em questões que não violem princípios essenciais", acrescentou.

Para o líder, a traição a esses princípios deixará os cubanos "impotentes perante os perigos externos e internos, e incapazes de preservar a obra fruto do sangue e do sacrifício de muitas gerações".

No ato, em que foi apresentado um vídeo com fragmentos de discursos de Fidel durante esses 50 anos, Raúl fez um repasse da história de Cuba e assinalou que a vitória da revolução foi o legado do movimento de independência mambí do século XIX.

Segundo o presidente, desde o momento do triunfo da revolta contra Fulgencio Batista há 50 anos "se tornou evidente para cada homem e mulher humilde que a revolução era um justiceiro cataclismo social".

"Todos os Governos americanos não pararam de tentar forçar uma mudança de regime em Cuba empregando uma ou outra via com maior ou menor agressividade", disse o presidente cubano, acompanhado pela cúpula do Governo e figuras históricas do processo político que triunfou em 1º de janeiro de 1959.

O chefe de Estado acusou ainda Washington de ter fomentado e apoiado a sabotagem, o bloqueio econômico contra a ilha, as agressões políticas e diplomáticas, além de um terrorismo de Estado que, segundo ele, custou a vida de 3.478 pessoas.

O general ressaltou que o povo cubano, "ao chegar ao primeiro meio século de revolução triunfante", conhece "cada imperfeição da obra que ele mesmo ergueu com seus braços", mas destacou que os revolucionários são os "principais críticos".

O presidente evocou novamente seu irmão Fidel, ao frisar que a direção do país não acredita que "os problemas vão ser resolvidos facilmente" e que pode se equivocar "muitas vezes".

"A única coisa que o povo não poderá dizer jamais de nós é que roubamos, que traímos", disse Raúl, parafraseando o irmão.

Raúl ressaltou que essas idéias "constituem a guia para o revolucionário verdadeiro" e pediu a reflexão sobre essas palavras com "a satisfação de haver cumprido o dever até o presente, com o aval de ter vivido com dignidade o mais intenso e fértil meio século de história da pátria". EFE jlp/rr

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