Cuba e Caricom pedem mudança do sistema financeiro internacional

Santiago de Cuba (Cuba), 8 dez (EFE).- Os países participantes da III Cúpula Cuba-Comunidade do Caribe (Caricom) que acontece em Santiago de Cuba atacaram hoje o sistema financeiro internacional, o qual pediram que fosse modificado, e reivindicaram a integração e a cooperação na região para responder a suas conseqüências.

EFE |

O ditador cubano Raúl Castro iniciou a cúpula após transferir aos 14 chefes de Estado dos países-membros do Caricom a "saudação fraternal" de seu irmão e ex-ditador Fidel Castro, que descreveu como um "impulsor decidido da união de nossos povos".

Em seu discurso, o governante anfitrião disse que "toda a cadeia de funcionamento do aparelho financeiro colapsou" e criticou o "desperdício de uma aristocracia de especuladores financeiros e o apetite voraz das corporações transnacionais", que, segundo ele, originaram a atual crise internacional.

Raúl Castro disse que serão os pobres e as nações em desenvolvimento que assumirão "de um modo ou outro o desastre irresponsável originado pela especulação, o individualismo e a avareza" e reivindicou a integração dos países "que formam o grande conjunto geográfico e social que se estende ao sul do rio Bravo (que divide México e Estados Unidos)".

"Hoje temos a oportunidade de avançar rumo a uma maior integração de toda essa vasta região, cujo sucesso e até sua própria sobrevivência depende da cooperação de todos os países e povos (...) sem por isso renunciar a nossas particularidades nacionais ou caribenhas", disse.

Raúl Castro defendeu os programas de cooperação que Cuba mantém com os países do Caribe, que, afirmou, "não funcionam sob a base das regras do 'neoliberalismo' que hoje colapsam como castelo de cartas de baralho", mas "promovem o desenvolvimento, a justiça, a eqüidade e o bem-estar dos seres humanos".

Afirmou que "apesar do bloqueio econômico dos Estados Unidos, os efeitos da crise internacional e as milionárias perdas deixadas pelos furacões este ano na ilha, Cuba não se dobra nem renuncia a seus compromissos com os países irmãos".

Por sua parte, o primeiro-ministro de Antígua e Barbuda e presidente temporário de Caricom, Baldwin Spencer, ressaltou "a importância" de fortalecer esses vínculos no meio de uma crise internacional que poderia "reverter os 'avanços sociais' na região".

Nesse sentido, se pronunciou a favor de que "o marco financeiro internacional se oriente para uma gestão da dívida que permita um maior espaço às economias suscetíveis aos deslocamentos e cataclismos externos".

O presidente de Caricom pediu ainda "mudanças sistêmicas" no ambiente financeiro internacional e uma "maior preponderância" das Nações Unidas na gestão econômica global, e defendeu a possibilidade de "estabelecer um verdadeiro sistema de moeda internacional de reserva".

Por outra parte, Spencer manifestou que a Comunidade do Caribe espera que o próximo presidente de EUA, Barack Obama, "relegue para sempre" o bloqueio contra Cuba, que constitui, disse, "uma surpreendente relíquia" que se mantém "apesar dos arrasadores pedidos de quase todos os Estados-membros das Nações Unidas a favor de sua eliminação".

O primeiro-ministro também anunciou a entrega da Ordem Honorária da Comunidade do Caribe a Fidel Castro, em reconhecimento a seu apoio ao "desenvolvimento econômico e social" dentro da região.

Por sua vz o secretário-geral daCaricom, Edwin Carrington, indicou que a crise começou a golpear o setor turístico das nações caribenhas, o preço dos alimentos, as remessas e o investimento estrangeiro direto.

A reunião concluirá hoje ao redor das 17h30 hora locais (19h30 de Brasília) com a aprovação da declaração de Santiago de Cuba, e outro documento sobre a cúpula da América Latina e o Caribe, que se realizará na próxima semana no Brasil.

O Caricom é formado por Antígua e Barbuda, Bahamas, Barbados, Belize, República Dominicana, Haiti, Granada, Guiana, Jamaica, São Cristóvão e Neves, São Vicente e Granadinas, Santa Lúcia, Suriname e Trinidad e Tobago. EFE arj-jlp/jp

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